segunda-feira, 29 de abril de 2013 1 comentários

A voz rouca e amiga de Paulo Daniel agora ecoa no céu: “aos amigos ausentes, aos amores perdidos e aos velhos deuses".Vai na luz, irmão andarilho!

“Aos amigos ausentes, aos amores perdidos e aos velhos deuses(frase preferida do Jack/Paul Daniel, na hora de brindar à vida, à amizade, aos reencontros):
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Como diz o Cássio de Andrade, saber pelo feice da partida definitiva de uma pessoa amada deixa a gente assim meio tonta, meio pateta e depois a tristeza toma conta. Foi o que aconteceu comigo ontem quando soube que o Paulo Daniel tinha morrido e que o corpo já tava sendo velado.

Tanta, tanta coisa feita e dita junta veio de  repente,bloblobloblobróbró, caindo e embolando tudo, como uma pororoca de emoções. 

Ele e a política, da qual meio que se desencantou. Ele e a doçura com a humanidade e com cada pessoa. Ele e o sarcasmo, o riso irônico e gostoso. Ele e a gentileza. Ele e meus meninos, do qual foi tutor, amigo e acolhedor, inclusivo, ensinador sem parecer. Ele, o andarilho, o historiador. Adriano (meu filhote) resumiu a grandeza de alma do Paulo Daniel: acolhia as pessoas sem fazer julgamento, sem preconceito.

Pra mim é mais uma perda doída demais. Já não bastava papai, Walter Rodrigues, meu manos Betinho e  Zé Wilson e meu eterno mano Castagna Maia!

Chegamos a tempo do velório, eu, o também querido amigo Branco Medeiros e meus sobrinhos Ana Paula e Marco Aurélio. Além da família, ali o povo do RPG, dos jogos e das caminhadas. Das lides da política, só eu e Cláudio Puty.  Paulo já tava dodói há tempos e nessa última internação, não resistiu. Subiu aos 42 anos, mantendo silêncio sobre muita coisa, inclusive sobre o quadro real de saúde.

Meu abraço à família e aos amigos. Aos presentes e ausentes. Outro dia, falo sobre Paulo e a política. Hoje, prefiro republicar os belos textos produzidos por Ghys Cunha e Cássio de Andrade após a partida do Jack, do bardo, do Obelix, do Paul Daniel, do Paulo Daniel, do amigo de ombro e riso largo, de ensinamentos naturais como quem caminha ou faz amor.

E não deixem de ler o artigo do Ragabash, um belo tributo a um grande e querido amigo.

Jack, Paul Daniel: um rosto amado e um ser amado. Para sempre.

Jack Daniel  no meio do rio Xingu em abril 2011. Do perfil no fb de Áurea Stella Carvalho
Em meados da década de 90. Arquivo do Ragabash.
Ainda em meados da década de 90. Arquivo Ragabash

Em dezembro 2012

DMC, o Death Match  Club, a primeira lan house de Belém totalmente sem fins lucrativos, organizada por amor aos jogos de computador e às redes sociais presenciais. Paul Daniel, junto!

Do Cássio de Andrade, em seu perfil no feice

Intelectual em silêncio.
Essa é a representação que me vem à mente quando rememoro Paulo Daniel. No face é conhecido como Paulo Almada, mas para quem teve o privilégio de ombrear com esse camarada em vida, será sempre o nosso Paulo Daniel, o bardo. Em estado anestésico estou ainda, quando soube pelas redes, há pouco, de tua partida, tão precoce, como precoce sempre foi tua vida. Pós-Moderno, underground, cybernético, um homem do seu tempo, com inteligência e criatividade um pouco além do contexto. Como falam os jovens atuais, um mito. Paulo dos teclados, dos RPGs, dos artefatos, da tecnologia ao lado da arte, do anti-Matrix, mas, acima de tudo, humilde e simples, rico porém de fraternidade e astuto observador do seu tempo. Quis a vida que o mundo me privasse de dois criativos Paulos esse ano, ambos amalgamados pelo ouro puro do design e da computação gráfica. Um gênio em permanente silêncio, mesmo em seu drama pessoal que nunca quis compartilhar com os amigos e próximos, daí a surpresa pela tragédia. Quando fazíamos o curso de História, perdi para o Paulo Daniel, uma vaga de bolsista. Nada que manchasse nossa relação futura. Companheiros de Centro Acadêmico, o CAHIS, de cervejas, de copos e bares. A voz rouca de Paulo ainda ecoa nos meus ouvidos. Nunca cedeu à arrogância típica de sua geração. Notícias se espalham e mistérios a desvendar estão. O corpo não vive e a arte perdeu a cria. Alma órfã da criação. Valeu a jornada, amigo. Valeu o amor à humanidade. O coração do amor, amando o mundo despedaçado e torturado pela normose, mas um amor profano de um coração cansado. Vá com sua mente brilhante e silente.
***
Da Ghys Cunha em seu perfil no feice:
Não sei quando acabará esse domingo, que começou com a notícia da partida de um querido amigo, dos tempos antigos, dentre todos, o mais terno, silencioso, lúcido e 
generoso... como a tantos, não mais via, tampouco convivia, como nas lidas do movimento estudantil na federal, mas amava-o, como a todos, e talvez com um toque a mais de doçura, quando lembrava de seu riso paciente e maduro diante daquelas nossas inconstâncias e aprendizados juvenis...

Em alguns momentos de minha vida, ele esteve especialmente presente, ombro amigo, afeto solidário, ajudando a curar dores passadas... lembro de quando viajamos juntos para Novo Repartimento, ano 1993, acho, para um trabalho de formação política com os camponeses dali... lembro de como descobri, guiada pela sua mestria, alguns caminhos iniciais das viagens virtuais pelo ano de 1997... sempre a sua sensibilidade, seu bom humor, sua companhia tão especial... cara, quantas cervejas, madrugadas, conversas profundas, risos e lágrimas, e ele se foi sem que eu soubesse que já estava de malas prontas...

Não pude, não consegui ir vê-lo uma vez mais, já inerte, olhos inevitavelmente cerrados, não deu... tentei ir, mas não consegui. Não dava, assim como não dá pra dormir agora, não ainda, não tá dando... orei por ele, oro, peço, entrego à Luz do Orixás, dos Guias, minha forma de despedir-me e vibrar para que esteja bem amparado, sendo tratado em um hospital espiritual neste momento... peço, minha Mãe Nanã, meu Pai Obaluaê, que embale no seu colo esse irmão, que cuide dele como se fosse de mim, que acolha sua família, envolta em dor... peço, oro e choro, porque sempre fica esse poço sem fundo, essa dor presa no peito que tem que sair, coisa de quem ainda não consegue acreditar... vai demorar um pouco...

E então penso em todas e todos que passaram por minha vida, que amei e que amo como amigas e amigos, amantes, irmãs e irmãos, e peço, meu Deus, que cuide de cada um, apenas para que eu possa abraçá-los, uma vez mais, e dizer que os amo... desejo mais egoísta, sei... mas sincero, se isso me redime... Olha, Paul Daniel, Paulo Almada, cara, amigo querido, irmão de tantas horas, de tantos anos, saudades, te amo.


***

Do Daniel Farias, BadDan, em seu feice:

"Aos amigos ausentes, aos amores perdidos e aos velhos Deuses"

Às lágrimas sacanas e teimosas que finalmente me veem aos olhos
Ao meu primeiro e eterno mestre de RPG - eu tinha uns 16 anos, já mestrava desde os 12, mas nunca haviam mestrado pra mim...
Às inúmeras aventuras no sindicato dos bancários
Ao cara que direta e indiretamente, me apresentou tanta gente maravilhosa, amigos para mais que uma vida
Ao sujeito que eu só vi puto uma vez - e era um motivo muito justo, acreditem...
Ao velho garoto velho que me mostrou o Belém By night, tantos jogos, e tantas noitadas de bebedeiras inesquecíveis...
Lamento tanto por tudo ter ficado tão distante nos últimos anos
Mas a realidade escassa e crua é assim, o tempo é escasso e curto, e para o que há de bom, nunca é o suficiente...
Ao meu eterno amigo e também mentor, de tantos caerns, mesas de jogos e tanta vida, registro aqui nesta tela um pedacinho do meu amor...
E minhas preces para que tu, onde quer que estejas - É, seu teimoso, sei que acordaste em algum lugar, e em algum momento vais pensar em mim e em nossas discussões sobre o além - desejo que encontres paz, amor e reflexão.
Até a próxima, Edge Walker, Jack Daniel, Paul Daniel...

Obrigado, Paulo...



No meu feice, quando postei ontem (28.4.13) a dolorosa notícia, compartilhada do Felipe Laredo:

Égua da notícia horrorosa! Subiu o amigo Paul Daniel, o Jack Almada Olhaí Adriano Rodrigues Branco Medeiros Cláudio Puty João Anjos SDaniel Farias Valeria NascimentoGhys Cunha
quinta-feira, 25 de abril de 2013 0 comentários

Por que quem ganha menos acaba pagando mais impostos? Dieese e Sindfisco respondem.

Tu sabias que:
  • não há taxação, não há imposto sobre grandes fortunas e que o ITR - Imposto sobre Propriedade Territorial Rural é ínfima, pequeninha, embora haja imensidões de latifúndios no Brasil?
  • o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) não incide sobre aviões, helicópteros e embarcações? E olha que o o Brasil é o país com a segunda maior frota de aviões executivos e o maior conjunto de helicópteros urbanos do mundo...
  • os lucros e dividendos gozam de isenção enquanto os rendimentos do trabalho submetem-se a alíquotas crescentes?
  • em 1996, quem recebia até nove salários mínimos não pagava IRPF, mas, pela tabela atual, quem recebe mais de 2,52 salários mínimos já terá que pagar este imposto?
Por essas e outras é é urgente pautar e debater a reforma tributária. Para que quem ganha menos não continue a pagar mais impostos.

E pensando nisso, o DIEESE e o Sindfisco nacional produziram uma excelente cartilha que aborda de forma simples e direta a problemática dos impostos e dos tributos no país.

Dentre outros pontos, a cartilha trata da necessidade de:

  •  ter mais transparência na cobrança de impostos, 
  • da desoneração da cesta básica; 
  • da importância de se discutir formas de tributar bens supérfluos e de luxo; 
  • da correção da Tabela do Imposto de Renda e do aumento da progressividade do IR; 
  • da criação do imposto sobre lucros distribuídos e da ampliação da tributação sobre ganhos de capital; 
  • da melhora na cobrança do imposto sobre herança e doações; 
  • da tributação sobre a propriedade da terra, 
  • da tributação sobre a remessa de lucros e a propriedade de embarcações e aeronaves. 
Clica aqui e lê a cartilha. Aí dá pra entender como é distorcida a cobrança de impostos. E como quem ganha menos acaba pagando mais!

P.S. - Hoje termina a eleição à direção do Sindicato dos Bancários do Pará. Como já declarei neste blog, apoio a chapa 1, que vai prosseguir à frente do Sindicato, pra mantê-lo no rumo certo. De antemão, meus parabéns à categoria bancária e à nova direção do Sindicato que em novembro deste ano completa 80 anos!
terça-feira, 23 de abril de 2013 0 comentários

Na eleição dos bancários e bancárias do Pará sou chapa 1. Pra manter o sindicato no rumo certo!

Daqui a pouco começa a eleição para a direção do Sindicato dos Bancários do Pará. Vai até dia 25 e mais de 5 mil bancários e bancárias em todo o Estado estão aptos a votar. Sem mais delongas, sou chapa 1, para que o Sindicato continue no rumo certo da luta, da unidade, do resgate e ampliação de direitos. Da solidariedade de classe. Da ousadia, do avanço e da agregação, pra não cair no gueto e no isolamento.

Sou bancária do Banpará e presidi esse valoroso Sindicato no tempo mais difícil do sindicalismo brasileiro, após o período da ditadura: entre 1998 a 2002, tempo tucano de FHC,  tempo brabo da resistência e de enfrentamento duro à privatização dos bancos estaduais, do enxugamento do sistema financeiro público. O banco da Amazônia tava na lista da privatização, assim como a Caixa, o BB e o Banpará, este resgatado da venda e com 20% do nosso salário durante 11 meses. Era um tempo de venda do país, de desemprego em massa, de brutal corte dos sonhos. Deus me livre!!!.

O período do FHC no país foi um teste de resistência ao sindicalismo combativo e eu, com muita honra, tava na linha de frente aqui no Pará, tendo a meu lado uma valorosa CUT e uma direção colegiada do Sindicato dos Bancários do Pará. Juntos, vencemos!
30 anos de lutas e sempre na maré da resistência. Por isso, sou chapa 1!!!

Muito se avançou de lá pra cá. Com a eleição de Lula, o país retomou o crescimento a partir de 2003, o estado voltou a ser reestruturado, voltaram os concursos públicos, milhões de jovens puderam ter o sonho de ter um diploma de nível superior.

Então, eu que junto com a companheirada segurei firme no leme da resistência, só tenho uma opção a indicar nesta eleição dos bancários e bancárias do Pará; é chapa 1, comandada pela companheira Rosalina Amorim.
Pra brindar o dia, este 23 de abril/2013 amanheceu assim, magnífico e eu me me emocionei por ter o privilégio de vê-lo e clicá-lo da janela do meu quarto. Procês.

E hoje ainda é Dia de São Jorge, o Guerreiro!!! Tudo a ver com a chapa 1
A chapa 1 tem 40% de mulheres e muitos jovens, como o Marco Aurélio, do banco da Amazônia e que é candidato a vice presidente!
Borilá, categoria bancária! É chapa 1! Pela nossa história de resistência e lutas a construir o que temos de bom e de direitos no movimento sindical bancário! Muito já foi feito e há muito o que fazer!
Heidiany Katrine Moreno, da geração de novos sindicalistas e que compõe a direção do sindicato. integrante da chapa 1 e muito atuante na região sul/sudeste/Carajás.


domingo, 14 de abril de 2013 2 comentários

Se toparmos hoje a redução da maioridade penal, o que vai ser amanhã? Pena de morte? Resolve o problema da (in)segurança?

Aviso logo, sem me importar se estou na contramão: sou contra a redução da maioridade penal, pois não resolve o problema da (in)segurança pública. Acha é um "culpado" para as infrações e se passar, daqui a pouco teremos a juventude negra e pobre atrás das grades e a juventude rica, solta. 

O que resolve é emprego, oportunidades, inclusão, justiça social, políticas públicas, educação. Enfim, o que arduamente vem se tentando implantar nos últimos dez anos, no país. 

Se toparmos hoje reduzir a maioridade penal e a insegurança persistir, porque o problema não foi atacado, amanhã será o que? Pena de morte? 

Não deixem de ler o ótimo artigo sobre o assunto, mais abaixo. É do Sakamoto. 

Um bom domingo e #ForaFeliciano!



Os repetidos casos de violência gerados por jovens da classe média alta brasileira e a forma aviltante com a qual têm sido tratados adolescentes pobres no processo de ocupação policial de comunidades no Rio de Janeiro me deixam duplamente incomodado. Primeiro, é claro, pelo fato em si. Segundo, pela forma como a sociedade se comporta diante disso.
Sabemos que é mais fácil uma pessoa que roubou um xampu, um litro de leite ou meia dúzia de coxinhas ir amargar uma temporada no xilindró – como mostram diversos casos que já trouxe aqui – do que um empresário que corrompeu ou um político que foi corrompido passarem uma temporada fora de circulação.
Não que o princípio da insignificância (que pode ser aplicado quando o caso não representa riscos à sociedade e não tenha causado lesão ou ofensa grave) não seja conhecido pelo Judiciário. Insignificante mesmo é quem não tem um bom advogado, muito menos sangue azul ou imunidade política.
Tempos atrás, a seguinte notícia veio a público:
“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos rapazes (…) confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”
Os rapazes não eram da ralé. Se fossem de classe social mais baixa, certamente o texto seria sutilmente diferente:
“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco moradores da favela da Rocinha, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos bandidos (…) confessaram o crime e estão presos. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”
Rico é jovem, pobre é bandido. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado. Lembro que o pai de um deles, num momento de desespero, justificou a atitude do filho como sendo perdoável. Da mesma forma, o pai de um dos jovens que agrediram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista, em São Paulo, pediu condescendência. Afinal, isso não condiz com a criação que tiveram. Bem, são pais, é direito deles. O incrível é como a sociedade encara o tema, com uma diferenciação claramente causada pela origem social.
Tenho minhas dúvidas se a notícia sairia se fosse o segundo caso. Provavelmente, na hora em que o estagiário que faz a checagem das delegacias chegasse com a informação, ouviria algo assim na redação: “Pobre batendo em pobre? Ah, acontece todo dia, não é notícia. Além disso, é coisa deles com eles. Então, deixem que resolvam”.
Amigos que trabalharam em uma rádio grande de São Paulo, pertencente a um grupo de comunicação, já ouviram algo muito parecido, mas mais cruel… É triste verificar mais uma vez que o conceito de notícia depende de qual classe social pertencem os protagonistas. Somos lenientes com os nossos semelhantes, com aqueles que poderiam ser nossos primos e irmãos, e duros com os outros.
A justificativa dos espancadores também é bastante esclarecedora. Ou seja, “puta” e “bicha” pode. Assim como índio e “mendigo”. Lembram-se do Galdino, que morreu queimado por jovens da classe média brasiliense enquanto dormia em um ponto de ônibus? Ou a população de rua do Centro de São Paulo, que vira e mexe, é morta a pauladas enquanto descansa? Até onde sabemos, apesar dos incendiários brasilienses terem sido presos, eles possuíam regalias, como sair da cadeia para passear. E na capital paulista, crimes contra populacão de rua tendem a ser punidos com a mesma celeridade que agressões contra indígenas no Mato Grosso do Sul.
Na prática, as pessoas envolvidas nesses casos apenas colocaram em prática o que devem ter ouvido a vida inteira: putas, bichas, índios e mendigos são a corja da sociedade e agem para corromper os nossos valores morais e tornar a vida dos cidadãos de bem um inferno. Seres descartáveis, que vivem na penumbra e nos ameaçam com sua existência, que não se encaixa nos padrões estabelecidos. E por que não incluir nesse caldo as empregadas domésticas, que existem para servir? Se eles soubessem a profissão de Sirley, teria feito diferença?
A sociedade tem uma parcela grande de culpa em atos como esse e os dos jovens que se tornam soldados do tráfico por falta de opções e na busca por dignidade, fugindo da violência do Estado e do nosso desprezo. A culpa não é só deles.
A diferença é que, para os da classe média e alta, passamos a mão na cabeça. Afinal, são “jovens”. Para os pobres, os “menores”, passamos bala.


sábado, 13 de abril de 2013 0 comentários

Paizinho se foi há 2 anos. E meu filhote do meio faz 33 anos hoje. É a vida, com suas curvas e variações que segue em frente....

Papai se foi há 2 anos, no 13 de abril de 2011. A saudade bate forte, muito forte e vou em Bragança (210 km) dar um abraço em minha mãezinha, no meu mano mais velho, me aconchegar e acarinhar mamãe no meu colo. 

E hoje também meu filhote do meio, Silvinho, faz 33 anos, ele que nasceu junto com o PT. São duas emoções fortes que convivem: a partida do meu pai e o renascimento do meu filhote. 

É a vida que segue, com suas contradições, curvas e tons variados, pra mostrar e ensinar pra gente que riso e dor podem caminhar juntos. 

 Abraços, meu Silvinho. E a bênção, meu paizinho!

Como sinto falta desse abraço do meu paizinho. Mas o olhar atento e terno da mamãe, esse tá aqui, graças a Deus!

Meu filhote Silvinho hoje com seus 33 anos e o o filhote dele, o pequenito Perseu, com 1 aninho.

Perseu e Silvinho: vida que segue!

sexta-feira, 12 de abril de 2013 0 comentários

Eu também quero falar: Margareth Thatcher e as mulheres. E cadê a mulher de verdade na tv?

Dois ótimos artigos sobre mulher, escrito por combativas mulheres do movimento sindical cutista. 
Deise Recoaro é bancária e secretária de Mulheres da ContrafCUT, a Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do ramo Financeiro. E Rosane Bertotti é agricultora familiar e secretária de Comunicação da CUT Naciona, coordenadora do Fórum nacional pela Democratização de Comunicação.

Depois, blogo sobre o VI Encontro Nacional de comunicação da CUT. Mas pode ir vendo muito do encontro aqui.

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Artigo de Deise Recoaro: Margareth Thatcher e as mulheres


Margareth Thatcher era mulher? Sim, com certeza. Sofria discriminação por isto? Provavelmente no meio em que ela vivia teve que enfrentar o preconceito. É uma referência para as mulheres do mundo? Não, isto não. Pode até ser para um grupo muito seleto de mulheres, mas para grande maioria ela prestou um desserviço.

A Dama de Ferro levou este apelido não foi por acaso. Ela virou símbolo do neoliberalismo no mundo, uma das políticas mais perversas para classe trabalhadora e em especial para as mulheres. Pois toda política de redução do Estado, de privatizações, de cortes nos gastos públicos e de ataques aos direitos sindicais recaem com mais intensidade sobre as mulheres, porque somos nós as principais usuárias e dependentes destes serviços e direitos.

Felizmente, temos outros exemplos de mulheres à frente de nações que fizeram e fazem a diferença. Que elevaram a nossa autoestima, que mudaram a vida de muitas trabalhadoras onde atuaram e atuam e que nos enchem de orgulho. Refiro-me especialmente à Michelle Bachelet e à Dilma Rousseff.

As mulheres, sem sombra de dúvida, são as principais interessadas e serão as mais beneficiadas com as mudanças e, por que não dizer, com a revolução social e política no mundo. Devemos ser as principais defensoras da democracia e do socialismo, para inverter a lógica selvagem da relação de exploração do trabalho e de mercantilização da vida.

Portanto, não basta ser mulher para estar nos postos e cargos de mando. Precisamos de mulheres comprometidas com a classe trabalhadora. Comprometidas com a luta histórica de superação das desigualdades, do combate à violência e por mais participação nos espaços políticos.
Deise Recoaro
Secretária de Mulheres da Contraf-CUT

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09/03/2012

Artigo de Rosane Bertotti: Mulher, luta e coragem de ser feliz

  
Crédito: CUT
CUTNasci do sexo feminino, mas me tornei de fato mulher quando percebi que meu desejo por um mundo melhor me fez descobrir o valor de reconhecer-se mulher em uma sociedade capitalista e gerada pelas regras do patriarcado. É preciso coragem para isso; para lutar contra valores subjetivos impostos em nossa sociedade; coragem para organizar a luta e ainda continuar com coragem para dizer em alto e bom som: sem medo de ser mulher, sem medo de ser feliz!

Ao longo da história da humanidade a sociedade tem se submetido aos princípios hegemônicos do capitalismo e do patriarcado. Em nossa luta por liberdade e igualdade, temos em nosso caminho uma inimiga atroz, a velha mídia, comandada por um pequeno grupo de pessoas que, na defesa dos interesses capitalistas das elites conservadoras continua a impor à sociedade seus valores discriminatórios, condicionando-a a perpetuar preconceitos arraigados durante séculos, de forma exponencial.

As produções da velha mídia se utilizam de todos os artifícios possíveis para fazer com que seus interesses comerciais e políticos prevaleçam: manipulação, mentiras, violência, desrespeito aos direitos humanos e reiteradas vezes, o desrespeito ao direito de ser mulher e de ser feliz.

Cotidianamente somos submetidas a inúmeros tipos de violência que nos perseguem desde os tempos mais remotos. Aristóteles, por exemplo, nos definia como um macho mutilado; Kant descrevia a mulher como pouco dotada intelectualmente e moralmente fraca.

Nos dias de hoje, a combinação sociedade de consumo e televisão é a principal responsável em tentar nos aniquilar, utilizando-se de um poderoso artifício: a sedução. A propaganda publicitária desde o seu surgimento mostra a mulher como produto de consumo, como parte integrante de um produto à venda, ou ainda, mostra o que a mulher deve fazer para transformar-se em um produto de consumo. 

No maravilhoso mundo da propaganda, a mulher é refletida a partir de estereótipos - como fúteis, submissas, pouco inteligentes, objeto sexual etc. Por isso na maioria das vezes aparece nos meios de forma voluptuosa, semi-nua (ou nua), ou então limpando a casa e cuidando dos filhos sozinha.

A televisão, que ainda detém a maior influência na população, nos impõe diariamente um único "padrão" de mulher - o idealizado no imaginário criado pela subjetividade, ignorando a diversidade racial e cultural de nosso país. Utilizando-se do erotismo e da violência, as grades de programação estão repletas de conteúdos que banalizam e culpabilizam a mulher, que mostram a fragilidade e a submissão como coisas naturais. Onde estão as mulheres de verdade na televisão?

É por isso e muito mais que a democratização dos meios de comunicação é urgente e nossa participação na construção de políticas públicas para o setor é fundamental. Reafirmamos o direito à comunicação como princípio e por isso lutamos pela construção de um novo marco regulatório para as comunicações, que respeite a pluralidade, a diversidade e que tenha controle social. Esse será apenas o início do processo de conquista da verdadeira democracia e liberdade de expressão.

No meu sonho por um mundo melhor figura o respeito, com mulheres e homens convivendo em igualdade de gêneros - na vida, no trabalho, nos espaços de poder e em todo o lugar. Mas, para poder cantar alto e em bom som o direito de ser mulher e de ser feliz, durante a vigília também é preciso lutar por novo marco regulatório. 

Nesta luta temos que ter o entendimento de que a comunicação é uma política pública e que as concessões de rádio e TV são um bem público e, portanto, é preciso ter mecanismos de controle social para sua garantia - para que a imagem da mulher e de outros atores sociais não seja mais deturpada, caluniada, desrespeitada, explorada, violentada, descaracterizada e até mesmo caricaturada.

Na vida real eu sonho e canto alto, porque ser mulher me deu coragem de não ter medo de ser feliz. E é por isso que continuo a lutar. 

Viva o 8 de março, viva a luta das mulheres de todo o mundo!

Rosane Bertotti
Secretária nacional de Comunicação da CUT
 
sexta-feira, 5 de abril de 2013 0 comentários

Impunidade se confirma no julgamento dos assassinos de Zé Cláudio e Maria: mandante é libertado e os dois executores são presos

É de dar repulsa e revolta o resultado do julgamento dos assassinos de Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo: o mandante foi absolvido e os acusados, pegaram a pena máxima de prisão. Um dos acusados é irmão do mandante. Incoerente o resultado.

A promotoria vai recorrer.
Em Marabá, uma audiência pública na véspera do julgamento mostrou o caminho da impunidade no conflito de terras. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013 0 comentários

Começou hoje o julgamento dos assassinos de Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo, mortos por conflitos de terras. Que não fique impune essa barbárie contra a vida!

Estive ontem à tarde em Marabá e hoje pela manhã. Na tarde de ontem, representando a CUT.Pa. acompanhei a audiência pública dos movimentos sociais, ong's, poder público, CPT, MST e todas entidades que debateram as violações de direitos humanos, a violência no campo. Segundo a CPT- Comissão Pastoral da Terra, houve 1.018 mortes por conflitos de terras entre 1985 a 2011. Desses, quase 600 ocorreram na região sul/sudeste do Pará e somente 30 mortes foram a julgamento.

Na manhã desta quarta-feira, 3 de abril, teve o início o julgamento dos assassinos de Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo, o casal de trabalhadores rurais morto a tiros em maio/2011 em Nova Ipixuna. 

O 1º a ser ouvido, José Rondon, terminou seu relato e respostas aos interrogatórios da defesa e acusação quase ao meio-dia. Fez um bom depoimento e segurou firme as respostas.

No auditório cabem apenas 80 pessoas sentadas e a grande maioria ficou do lado de fora. Juiz não permitiu imagem, som e nem áudio, o que é absurdamente estranho, depois do espetáculo midiático que foi o "mensalão". Podia ao menos permitir um telão para as famílias e movimentos sociais que estavam do lado de fora. Muito estranho...

O julgamento está previsto para acabar dia 4 e já foram ouvidas as 16 testemunhas e os 3 réus. Amanhã, o debate entre acusação x defesa.

Detalhes aqui.

José Rondon, a primeira testemunha ouvida pelo júri e plateía presentes ao Fórum de Marabá, em que acontece o julgamento dos assassinos de Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo. (Foto minha)

Ontem, na UFPA/Marabá, a audiência pública dos movimentos sociais debatendo a violência no campo. CUT.Pa presente na atividade.
Mesmo sem ar refrigerado e sob um calor de mais de 35º, plenária lotada  na audiência pública, ontem.
Parte da mesa dos trabalhos. O ator Osmar Prdao, na ponta à esquerda.

A fala do deputado Carlos Bordalo (PT.PO), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
Maria e Zé Cláudio: a foto presente no muro do Fórum de Marabá, enquanto rola o julgamento.

No auditório do Fórum só cabem 80 pessoas. A maioria ficou do lado de fora, inclusive a imprensa, pois o juiz não permitiu som, áudio e nem imagem de dentro do auditório.
Na porta do auditório, sempre um bom número de pessoas, tentando o sistema de revezamento para poder ouvir  o julgamento.
Numa pausa, a promotora dá uma rápida entrevista, do lado de fora do auditório.
Movimentos sociais vão contando as atrozes violações de direitos humanos, ao lado do Fórum.
domingo, 24 de março de 2013 3 comentários

Delícias da vida ou a saga de um sururu que saiu de Bragança/Pa e fez comprido percurso até Ribeirão Preto/SP

Sururu, mexilhão, o nome é variado, como é variada e deliciosa a cozinha brasileira. Aqui, a história de um sururu da água doce, mais precisamente do rio Caeté, em Bragança.Pa, cidade que neste 8 de julho/2013 completa 400 anos, mais velha que Belém, a capital do Pará. Cidade bonita, histórica, cidade que se dança a Marujada, dança comandada por uma mulher, a capitoa. 

É de Bragança.Pará que vem o sururu desta história. 

Como faço todos os meses, fui um dia tomar a bênção de mamãe em Bragança e resolvi comprar uns litros de sururu na feira de Bragança. Na casa da mamãe, a querida Socorro lavou e botou pra cozinhar só na água e sal. Quando levantou a fervura, Socorro apagou e esperamos quase esfriar. Ainda tava bem morno quando eu, Antonio meu mano mais velho (as mãos dele aparecem na foto aí embaixo) e mais Socorro tiramos o sururu da casca, ela botou um limão, guardamos no saco e foi pro congelador. Dali, era voltar pra Belém e enviar para a amiga-mana Ruth Rendeiro, paraense e também jornalista das raras que hoje mora em Ribeirão Preto-SP. Porque eu sei bem o que é a saudade das comidas e dos cheiros da terra da gente!

Era pra ter seguido logo, mas não foi. Bem que tentei enviar pela TAM ou GOL, mas tem tanta burocracia e tanta exigência sanitária e fiscal que quase desisti. Mas sou amazônida, acostumada a remar contra a correntenza, na primeira de copa que pintou uma viagem pra Sampa, lá carreguei o isopor saliente que deslizou na esteira de Congonhas e lá em Sampa, ficou no abrigo do coração e do congelador de outra mana amazônica que hoje mora em Sampa, por conta de lides sindicais bancárias - a Andréa Vasconcelos, combativa diretora de Políticas Sociais da CONTRAF-CUT, a Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Financeiro.

Pelo feice hoje eu soube da Ruth que o sururu vai sair de Sampa e chegar nesta Sexta-Feira da Paixão em Ribeirão Preto.

Boa, ótima notícia! Minha alma escancara um sorriso de alegria, recompensada. E do feice da Ruth, a história contada por ela mesma, aí mais embaixo.

Beijão, mana! Bom sururu em nossas vidas inquietas e risonhas!
Já cozido, o sururu da água doce....

Mano Antônio mostra o sururu tirado....
A saga do sururu contada pela Ruth Rendeiro:
Ele foi catado em Bragança, a bela cidade paraense às margens do rio Caeté. Empacotado seguiu para Belém e lá permaneceu até ontem. Neste momento encontra-se em solo paulistano, em um hotel no centro de Sampa, depois de mais de três horas de voo. Não deve estar entendendo nada. Seus parentes sempre viajam muito, mas ele deve estar batendo o recorde da família.

O próximo destino ainda é incerto. Talvez a Vera Paoloni a sua atual tutora, já tenha comentado e ele ouvido, que a última parada será em Ribeirão Preto, no interior de SP. Lá será saudado efusivamente e ocupará lugar de destaque na mesa de uma paraense saudosa, que uma outra, generosamente, se dispôs a trazer de tão longe, relegando os incômodos que muitos argumentam de não andar com quaisquer produtos que possam identificá-los, na cidade grande, como um “paraíba” agarrado ao seu isopor. Ela só quer fazer uma amiga feliz, independente do cheiro do pacotinho ou da mala que ficou um pouco mais pesada.

Mas o meu sururu, ou mexilhão como chamamos em casa, ainda terá que esperar para ser saboreado em terras paulistas. Do hotel ele irá para a casa de uma amiga da Vera e depois hibernará no freezer de uma amiga minha, no Morumbi, aguardando a minha próxima viagem à capital. Não importa o longo tempo. O que vale é a degustação ansiosamente aguardada e a deliciosa sensação de há pessoas que agem mais do que falam e não se impõem limites para fazer o outro feliz. Obrigada Vera! Este sururu é de fato muito especial.

E em Bragança também tem:

A melhor farinha do mundo. A lavada é especial.

Buriti, vinho de buriti, essa delícia que se toma com farinha e açúcar... huuummmmmm
Bacuri, a fruta mais gostosa do mundo, única e e que só dá uma vez por ano, no inverno amazônico de dezembro a março,abril
A marujada, linda e única festa que dura o mês de dezembro, com dança, retumbão e mais de 200 anos de história
Uma das mais belas praias do mundo, a praia de Ajuruteua....
sexta-feira, 8 de março de 2013 0 comentários

Caminhando e semeando alegria e esperança... Viva 8 de Março, Dia Internacional da Mulher!

Gosto muito de Cora Coralina, Florbela Espanca e muitas outras.

Então - e já saindo para a caminhada da mulherada em Belém - meu abraço a cada compa, a cada lutadora que todo santo dia espalha alegria e esperança, com muita fé, amor, resistência e uma enorme capacidade de lutar! Continuemos em marcha e avançando, sempre, sem medo de ser feliz!

Pra cada uma de vocês, com uma pitada de carinho, ensinamentos de Cora Coralina e parabéns por todas as lutas consagradas no 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. E abraços aos compas que caminham junto com a gente nas jornadas desta vida:

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.(Cora Coralina).


Caminhada de mais 3 quilômetros, sob um mormaço do inverno amazônico.

A caminhada tinha 4 alas, como eixos temáticos: 1) corpo, autonomia e estado laico; 2)saúde e violência; 3) a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento na Amazônia; e 4) mulheres no espaço de poder.
Agora, cliques do Lucivaldo Sena na belíssima Marcha
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Autonomia e igualdade: é só o básico que reivindicamos!
 
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