quarta-feira, 24 de novembro de 2010 0 comentários

Estar com amados ... não tem preço


                    Carol e Maia, na Estação das Docas, tarde, Belém, 23 de nov.2010.
            Matilde e papai na casa da Celeste, em Belém, tarde, 24/nov/2010.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010 0 comentários

Fog parauara em Belém, coração da Amazônia

Belém do Pará, hoje cedo, tipo 6 e meia. A primeira foto já é das 7 e 15 e aí o sol começava a desfazer a intensa neblina, verdadeiro fog parauara em pleno coração da Amazônia. Isso já aconteceu umas cinco ou seis vezes só este ano.


Na primeira foto, no canto à direita, uma nesga do Bosque Rodrigues Alves, o Jardim Botânico que tem 127 anos e 5 hectares de floresta nativa, preservada, no centro de Belém. 


Fiz as fotos na aurora e publiquei no meu twitter, cedinho.


Bom feriado!
Aqui, o sol começava a abrir caminho na neblina.
Nestas duas fotos, a intensidade da neblina, cobrindo os prédios, as árvores, envolvendo as ruas  e confirmando o ditado:" Não se enxerga um palmo adiante do nariz!"
segunda-feira, 25 de outubro de 2010 6 comentários

Por que sou Dilma, Ana Júlia e Lula!

Sou petista há 30 anos, tempo de existência do meu PT. 30 anos tem meu filhote do meio, Silvinho e ele crescia na minha barriga quando o PT nascia, lutando contra a correnteza. 30 anos tem meu amado Partido, o PT, Partido que amo, que ajudei a construir com muita luta. Vencemos muitas adversidades nesses 30 anos. Fiz todas as campanhas do Lula Presidente, andamos juntos por este Pará, há 30 anos atrás e ver meu presidente governar o país com amor e generosidade, me deixa reconfortada todos os dias. Feliz.


Sou petista por amar e respeitar a democracia, por lutar pela inclusão social e por detestar a privatização, terceirização, golpe em direitos trabalhistas. Amo a organização popular, o sindicalismo combativo, o debate, a construção do processo democrático, com todas as suas pelejas.  Amo a vida, amo gente, a alegria, a paz. Tenho fé em Deus e na vida.


Sinto imensa, enorme emoção em ver um presidente operário à frente do Brasil, fazendo a autoestima da gente retornar a cada dia. Fazendo renascer um sentimento de brasilidade fora do comum. E colocando o Brasil nos eixos, com emprego e oportunidades! Quase 15 milhões de empregos com carteira assinada! 28 milhões saíram da linha da pobreza no Brasil, e mais de 500 mil, no Pará. 36 milhões de pessoas subiram para a classe média. Nossas empresas públicas estão fortalecidas e a gente tá bem melhor hoje. Ainda tem um passivo social de 500 anos, mas agora tem um bom caminho a ser palmilhado.


Chegamos na semana  da eleição, uma eleição em que se viu até boi voar, tamanha tem sido a pancadaria sobre os lombos de Dilma e Ana Júlia que, por serem mulheres, enfrentam, adicionalmente às tensões da campanha, um preconceito brutal e raivoso.  Tensões rebatidas pelo enorme carinho com que o povo brasileiro acolhe as duas companheiras.


Apesar das baixarias, dia 31 tá às portas e o Brasil vai às urnas pra eleger a primeira mulher presidenta do Brasil. Vota pra seguir mudando, como diz acertamente a propaganda da Dilma.


Eu voto nela, é claro! Pela sua história de vida, por resistir bravamente na ditadura e ajudar a construir um Brasil democrático. E por ter ficado ao lado do nosso presidente Lula nos momentos de bonança e, principalmente, nos momentos de vendaval, nesses quase 8 anos.


Dilma será uma presidenta pai dégua, com olhar de povo e com um lado, o dos que mais precisam. Vai governar com alma generosa e valente. Voto nela convicta e feliz, minha Dilma, nossa Dilma! Dilma do povo!


E no meu Pará, meu amado Estado, só cabe uma escolha pra ser feliz: é votar na nossa cabocla, em Ana Júlia, guerreira que enfrenta todo santo dia a chibata do preconceito e da baixaria e continua trabalhando firme e com fé na vida. E que tem o mesmo projeto de inclusão social do Lula e da Dilma. Projeto oposto ao dos tucanos.


 Tem problemas? Lógico. Como diz o Chico Buarque: só a bailarina que não tem! Mas tem tantos acertos, tantas vitórias, tantas conquistas e isso é maior que eventuais broncas e desacertos. E eu sou do bem, da paz, do amor e da luta! Coração manso e valente, como minhas duas escolhidas neste dia 31 pra cuidarem do Brasil e do meu Pará.


Sei que com Ana e Dilma teremos 4 anos de lutas, com certeza, mas teremos portas abertas na hora de reivindicar, teremos portas onde bater, porque é com elas que está o caminho da inclusão social, a oportunidade igual para todas, o respeito às riquezas nacionais e  às nossas empresas públicas, como o Banpará, Banco da Amazônia, BB, caixa,  BNDES, Petrobrás,Cosanpa. 


Com Ana e Dilma sei que a vida, o meio ambiente, o diálogo com os movimentos sociais estarão preservados. E que  nossas riquezas nacionais  serão revertidas em educação,saúde, emprego, segurança. Em melhora da autoestima e pra fazer a gente andar de cabeça erguida.


Tucanos? Não, de jeito nenhum! Nem pra cá e nem pro Brasil. Por onde eles passaram, a terra e a esperança ficaram devastadas. E eu, eu sou uma amante da vida, da esperança, uma lutadora por dias melhores. 

É por isso que Lula sempre teve meu voto e minha confiança. A mesma confiança que me conduz à Dilma e à Ana Júlia! Mulheres de luta, mulheres do bem, mulheres nas quais a gente gosta de se mirar! Com muita alegria vou dar esse presente ao meu amado Lula. Voto com fé em Dilma e Ana! (fotos do meu arquivo pessoal).
quarta-feira, 6 de outubro de 2010 0 comentários

Fé e carinho: o Círio toma conta da gente

O clima do Círio já tomou conta de Belém. As romarias já começaram e este ano serão quase 130 romarias do Círio de Nazaré.


As casas se enfeitam, aumentam as novenas e orações, missas especiais. A comilança do Círio já está sendo cuidadosamente preparada: maniçoba, pato no tucupi e se não tiver, serve um frango ou um peru, desde que no tucupi e com bem jambu. O creme de cupuaçu, a romaria fluvial, a visita à feira de miriti, o auto do círio, Belém vive sua maior festa, seu primeiro Natal, em pleno outubro. As famílias se juntam pelo carinho e pela fé. O astral muda, fica pra cima. É o cheiro do Círio que faz a gente ser melhor.


Pra ver a Santinha, tem romeiro caminhando há dias e os barcos chegam lotados de gente que vm passar o Círio, agradecer à Santinha e confraternizar com a família. Rir, brincar, rezar, se juntar. Porque é tempo de Círio, tempo de amor.


A correria é grande  e são muitas romarias até chegar a do Círio, domingo. Umas maiores e outras menores. O Traslado pra Ananindeua vai ser comprido, pois são 55 quilômetros e deve durar 12 horas. Tem também a romaria fluvial e o Círio, no domingo, que é a grande procissão. O Círio mesmo deve durar 6 horas e a previsão é que chegue à Praça Santuário à 1 da tarde. Pra acompanhar todo o Círio, os romeiros vão andar 3,6 km no domingo. No sufoco, no calor e com o coração inundado de amor e fé.


Belém está mudada, muito mais linda, com uma energia incomun, prontinha pra receber a Virgem de Nazaré.  Corações ao alto e muito a agradecer.


É com o espírito manso e muita alegria que vou estar no Círio de Nazinha. Feliz, leve e grata, muito grata. Recebi muitas bênçãos neste 2010! É hora de dar graças!
sábado, 18 de setembro de 2010 0 comentários

Lula, a voz que clama por justiça e paz!

Lindo vídeo da homenagem que Ana Júlia prestou a Lula no comício em Belém, dia 17 de setembro de 2010. Comício enoorme, 50 mil pessoas na Pedreira. Lula, candidato a Nobel da Paz.



Imagens do comício
(A letra da música)
EM NOME DA PAZ
Se você pensa que já vai embora
Nem se avexe, eu não vou deixar
Em Garanhuns se aprende nessa hora
É na partida que a gente chora
Pela alegria de poder voltar.

Você é mais que um bom brasileiro
Pro mundo inteiro você é bem mais
Você é o cara, assim falou o Obama
É a voz que clama por justiça e paz.

Para sempre Lula
O Brasil é Lula
Nunca mais a fome em qualquer Nação
Somos todos Lula
No mundo inteiro, Lula
Assim nasce a paz em todo coração.
domingo, 8 de agosto de 2010 2 comentários

O Dia dos Pais tem orações e pirarucu defumado

8 de agosto, Dia dos Pais e dia no aniversário de meu mano Antonio, que ô família pra ter leonino!


Liza e Camila traçam  a boia: pirarucu defumado no leite de coco e saladão com pirarucu defumado, com o toque divino da Silvaninha que bota um saber só dela em tudo que faz.


Obrigada, meu Pai! O do céu e o da terra, seu Heraldo, que eu tanto amo e que tanto me ensinou sobre ser do bem, fazer o bem, gostar de gente e de vida! Papai tá em Bragança, ao lado da veinha dele, mas o amor e os ensinamentos tão aqui, grudados na minha alma e da meninada que agora já vai tocando o barco da vida!


sábado, 29 de maio de 2010 8 comentários

O sábado em casa. Muita vida, muito riso

Como diz o poeta, "há uma comemoração fantástica, porque hoje é sábado/ Hoje é sábado, amanhã é domingo / A vida vem em ondas, como o mar".

Nos sábados, em casa a gente costuma adiar todos os compromissos. Porque só tem um e é delicioso - juntar a família, os amigos, os chegados e conversar em torno da mesa. 


Geralmente tem caldeirada de filhote, ou dourada, ou outro peixe. Muita salada, a caldeirada, um purê de macaxeira ou batata, farofa e conversa de primeira. Dura horas o almoço, cheio de risos e muita história pra contar. Hora sagrada do ajuntamento.

Silvana é a cozinheira que tem mãos de fada, faz tudo ficar gostoso. Hoje não teve a caldeirada. Veio um xaréu de presente. Tão grande que vai dar pra dois sábados.

Huum!!!!



segunda-feira, 24 de maio de 2010 0 comentários

Walter Rodrigues, um grande amigo. Sempre






Meu querido amigo e mano Walter Rodrigues, acaba de nos deixar, hoje 18 de maio de 2010.

Um infarto fulminante o levou, enquanto conversava com um amigo, na casa dele, em São Luís, às 10 da noite.


Sacanagem, pois a gente nem pode comentar as últimas do PT do maranhão, do Sarney e nem as travessuras dele com a vida.

Fui avisada na mesma noite pelo amigo Flávio Dino e estou assim ainda meio apatetada. Quando o celular tocou, depois das 11 da noite senti que era coisa assim, assim, daquelas que sobressaltam a vida e deixam a gente moída de dor. E era.

Eu e Walter somos, fomos, cúmplices na dor e na alegria, irmãos do riso e do silêncio. Caminhamos uma longa jornada de muito carinho, muita amizade, muita arenga, muita estrada.

Nem chorar consigo, mas tem uma imensa mão gelada apertando meu coração, minha garganta. E minha cabeça gira, lembrando dele na campanha de 2008 do Flávio Dino, pulando alegre sobre o caminhão, explodindo vida e alegria. Ou conversando comigo e outro mano que se foi, o Juca, querido Juvêncio.
Ficamos nos devendo uma conversa pra rir de muita gente, da gente mesmo, pra criticar A e B.

Olhei o
blog dele. Ainda fez 2 posts hoje, raro e brilhante jornalista que brincava não só com a vida, mas também com as palavras. E agora, com o sentimento da gente.


Égua Walter, precisava ser assim, meu irmão? Precisava perder quase duma vez dois manos, tu e Zé, assim?
domingo, 27 de setembro de 2009 0 comentários

Antes de partir - Para José Wilson, maninho

Antes da tormenta que se abateu sobre minha família, vi e revi um belíssimo filme chamado "antes de partir".

Dois homens, um multimilionário e outro classe média-media adoecem de câncer e os médicos lhes dão 6 meses de vida, no máximo. Conversam no hospital e acabam fazendo um roteiro do que desejam fazer nos 6 meses finais.
E aí começa pra valer o filme: voar e se jogar do céu acima das nuvens; beijar a mulher mais linda do mundo; fazer um safari no meio da África; subir o Himalaia e de lá olhar o nascer do sol e daí por diante... Se reconciliar com pessoas amadas que ficaram derrubadas pela mágoa no caminho da vida. São muitas sugestões.

Não conto o resto. Vale a pena olhar e chorar. E rir. E refletir.

Por que lembrei desse filme?
Ontem fizemos uma roda de oração em casa, sob o comando da amiga Sandra, após a minha vinda da UTI em que meu mano Zé Wilson está há 3 dias, muito mal. Quando acabou a reza e todos se foram, me peguei a pedir pra Deus que dê mais uma chance pro meu mano.
Para que ele tenha o direito de fazer o que gosta e precisa antes de partir. Brincar com Bidu, o cachorro que ele tanto ama e que se tornou um grande amigo quando o lúpus baixou feio; beijar a boca da Gaby mais algumas vezes; ela, a mulher intensamente amada; ver o netinho que ainda está na barriga da Paulinha; passear de mãos dadas com o netinho, filhote da Pâmmela; ver o pôr do sol da baía do Guajará; acompanhar a procissão do Círio de Nazaré; conversar com o Marquito; mandar os meninos estudarem como forma de vencer na vida; casar de novo de papel passado...sei lá, tou imaginando coisas que ele faria.
Papai do Céu, dê essa chance pro meu mano, por favor. Antes dele partir.
Vera
P.S. Escrevi esta cartinha dia 19 de agosto de 2009. Dia 20, às 8 e meia da noite, o coração do Zé não suportou mais hemodiálise, UTI, nada. Ele se foi, aos 50 anos, o coração cheio de amor pra dar. Muitos sonhos interrompidos. Ficou a saudade e a perplexidade e a belíssima história de vida de um homem bom e decente.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 0 comentários

PAULO VOLTA PRA CASA



No visor do celular, o chamado. Vinha da ContrafCUT, de São Paulo.Atendi. Era a telefonista. Vera? Tem uma pessoa aqui na Contraf que quer falar com você. Era um ex-bancário do BASA chamado Paulo. Aliás, de uma terceirizada do BASA, área de informática. Quando foi demitido, pegou a graninha da rescisão, comprou uma passagem de ônibus e se mandou para São Paulo, em busca de um emprego.

O emprego não pintou, o dinheiro acabou e ele virou morador de rua, catador de restos há mais de mês. Queria voltar pra Belém e queria uma passagem. Longe de casa mais de 3 mil e 500 quilômetros.

Me contou como chegou na Contraf. Estava andando quando enxergou a sede da Contraf. Lembrou das greves e daquele símbolo, daquela marca. Lembrou do carro de som na porta do BASA e dos dirigentes falando sem parar, berrando no microfone. Já tinha visto aquela marca.

Não contou conversa. Entrou, contou a história de seu insucesso e pediu pra falar com o atual presidente do Sindicato dos Bancários do Pará. Não conseguiu, então pediu pra ligarem pra mim. Lembrava de mim na porta do BASA, do tempo em que presidi o Sindicaro.

Ouvi a história dele angustiada. Peguei o endereço da família em Icoaraci-Belém. Sem telefone fixo, sem celular. Longe. Mais longe estava ele.

Liguei pra Cut Nacional e pedi a ele que fosse até lá. Na Contraf, alguém arranjou um vale para o metrô e lá se foi ele.

De tarde, de novo o celular mostrava chamado da Contrafcut. Era o rapaz. Conseguira uma passagem de ônibus para voltar a Belém. Para daqui a dois dias. Queria 50 reais para passar os 2 dias e também para encarar os 3 dias da volta pra casa. Uma conversa rápida com Daise e 100 contos foram colocados na mão dele.

Hoje é terça, ele sai de Sampa na quinta, chega em Belém domingo. Nenhum tostão no bolso, muita história doída pra contar.

E dessa história eu guardo uma convicção: vale a pena lutar pro mundo ser um pouco melhor, a partir de pequenas ações que podem salvar vidas. E isso é possível no sindicalismo de esquerda, com homens e mulheres de boa vontade. Ganhei o dia e acredito que assim se sentiram as companheiras e companheiros da CUT e ContrafCUT que ajudaram um companheiro a retornar pra casa.



Paulo volta a Belém com o sonho do emprego esfarelado. Mas conseguir voltar é o maior sonho do ex-bancário. Pra ele, encharcado de desesperança, brilha o dito popular: "Quem vai pra casa não se molha".
sábado, 14 de fevereiro de 2009 0 comentários

Da ponta dos dedos, o sustento. Com arte

Com arte e doçura, Marta encara a crise, de mesa em mesa noas bares de Brasília. Levei o ladrilho pra minha casa, em Belém.

A conversa rolava solta e variada. De vôos aéreos, a fundos de pensão, quiropraxia, comidas vegetariana e unibiótica, sindicalismo, a crise e o Brasil, piadas prontas ou criadas. Mesa de bar com gente legal é sempre assim, gostosa nenhuma conversa termina e no meio de cada uma, um riso, uma brincadeira, um sarro de alguém. Mesa no ponto pro relaxamento depois de um dia de tensões, reuniões.

Bem cara de Brasília isso de reunião e tensões. Local bom pra aliviar Mercado Municipal, irmão mais novo e bem menor do Mercado paulista, igualmente com direito a sandubas gigantes de mortadela, bacalhau e chope na pressão. Na roda de conversa e carinho, eu, meu amigo-irmão Castagna Maia, a presidenta do Sindicato dos Aeronautas, Graziella e a presidenta da Associação dos Quiropraxistas, que tentava, via escritório de advocacia do amigo, regulamentar a profissão e espanar os vendilhões desse templo.

Marta chegou quieta, linda e negra com sua barriga de quase 6 meses de gravidez. Uma menina, ela espera dessa vez. Com 25 anos, já tem dois meninos e que ta na barriga também veio assim, sem planejamento, mas ela tá feliz. Sustenta a família com a ponta dos dedos, fazendo arte em ladrilho, com tinta a óleo. Todas as noites, nos bares e em mesas receptivas.

Carrega os ladrilhos e os potinhos de tinta. Pergunta se aceitamos ver a arte dela. Topamos.

Com a ponta dos dedos, Marta pinta rapidamente um ladrilho. Faz uma paisagem de árvores, sombra no rio, sol, colorido. Pinta em pé e vai respondendo a um caminhão de perguntas. Ganha em média 2.500,00 reais trabalhando todas as noites. Mais do que bancário, lembra nosso advogado. Quando a menina nascer, vai ter uns dias de resguardo e depois volta ao trampo. Marta gosta do que faz, de mesa em mesa, em bares já conhecidos e onde tem tränsito. Cada ladrilho pintado custa 20 contos e demora 3 dias pra secar.

Ela assina orgulhosa o nome na tinta fresca. Marta. Linda e grávida, batalhadora, nem aí pra crise.

A crise, indago... Ela ri e continua pintando.

Por enquanto, tá dando pra resolver com as pontas dos dedos.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 0 comentários

Dan Dan descobre o Amor

Dandan é meu menino de 6 anos, quase 7. Sobrinho, afilhado, meio filho, meio neto, meio muita coisa querida.

Dandan é uma centelha de luz, passeando no meio da gente, olhinhos brilhndo sempre, irradiando vida.

Tanta vida se derramando, ia acabar triscando em alguém.

Na nova escola, em Belém, Dandan conheceu o amor, um amor diferente daquele pela mãe, pai, avó,tias, Bia, Caio, os irmãos. Dandan se apaixonou.

Cheio de atitude, o amor foi logo guiando ele pra fazer um cartão lindo pra amada. Cartão cheio de corações, colas de várias cores, coisa gigantona, do tamanho do amor de Dandan pela sua menina.

Enrolado na timidez, criou coragem e entregou o cartão. A menina, ah! meninas, apenas olhou, riu e deu um beijo na bochecha dele.

O beijo grudou e ele, estátua, parado na frente dela até que bateu a campa. Hora de voltar pra casa, pisando nas nuvens, beijo guardado na bochecha e no coração.

Antes do jantar, recusou o banho. Teve o primeiro receio de amor: que a água levasse o calor do beijo que tava entranhado na pele, na vida dele.

Naquela noite, riu muito e dormiu mais leve do que nunca. Estava amando. E com beijo!
terça-feira, 27 de março de 2007 16 comentários

NÃO TOQUE EM MEU COMPANHEIRO

Não sei se é pelos primórdios do petismo, mas como eu gosto da palavra companheiro. 
Companheiro, aquele que compartilha o pão, 
que passa o sufoco junto,  
que ajuda a construir pontes, 
que é silêncio e colchão de carinho quando o mundo fica de ponta cabeça,
que chora quando a gente está triste e gargalha quando obtemos uma vitória que pode até ser gita, mas que o ali junto logo eleva à condição de gigante.
O que compartilha as dores e os amores.

Tenho companheiros e companheiras assim e em muitas arquibancadas, mesmo naquelas em que não posso agitar minhas bandeiras. Não são muitos, mas parece uma legião, tamanha é a força, unidade, carinho e atitude quando compartilham comigo o pão.


O pão da vez é a ditadura que se instalou na empresa em que trabalho e que acabou me atingindo em cheio dia 23 de março de 2007, por injunções da política mais rasteira. Assim, sem que nem por quê. Até porque ditadura por ser golpe, não se dá ao trabalho de dar explicação. Apenas executa, com o tom sombrio da arbitrariedade. Sou descomissionada de uma função que conquistei com décadas de trabalho e por movimentos das trevas, das sombras e sem me dar a menor chance de defesa e isso após eu ter enfrentado um 2006 de travessia do Rubicão na minha saúde. Égua!


A força da solidariedade -A dor que enfrento hoje e a força da solidariedade me faz recordar um episódio da época do governo Collor, em 1991.


Em 27 de setembro de 1991, no período do governo Collor, a Caixa Econômica Federal demitiu 110 colegas que fizeram 21 dias de uma grande greve. A ordem da demissão coletiva partiu do então presidente da Caixa, Álvaro Mendonça. 

Diante do brutal ataque ao emprego e à vida de 110 colegas e suas famílias, a Fenae - Federação nacional das associações do Pessoal da Caixa, Apcefs e sindicatos fizeram um cordão solidário contra o ato antissindical e  desumano, na minha opinião uma das mais belas campanhas do movimento sindical bancário e que expressou a solidariedade numa tocante campanha que dizia "Não toque em meu companheiro!". O companheiro era simbolizado por uma flor despedaçada no caule e que mão cuidadosa protegia para amparar e manter em pé a flor já brutalmente agredida. Não tenho mais essa imagem, mas vou buscá-la junto à Fenae e quando tiver, publico aqui.

Os 110 colegas foram reintegrados em 4 de outubro de 1992 (Collor fora impichimado em 29 de setembro de 1992) e no longo ano em que ficaram sem salários, tiveram o sustento assegurado pela solidariedade de 35 mil bancários da Caixa que depositavam todo dia 20 de cada mês 0,3% de seus salário num fundo solidário que manteve o longo inverno de 1 ano sem salário. O companheiro Jair Pedro Ferreira foi um  desses 110 colegas.

Após a reintegração, os 110 bancários tiveram os 21 dias da greve de 1991 descontados em 5 parcelas, mas isso ficou pequeno diante da imensa e maravilhosa vitória de criar e manter solidariedade e esperança na luta e nos companheiros.

A imagem, o símbolo daquela mão que acolheu com ternura e firmeza a flor cortada e com todo cuidado impediu que se despedaçasse, ficou gravada na memória da minha pele. Para sempre.

Então, quando leio, vejo, passo ou pressinto injustiças, me vem à mente aquela flor cortada, mas acolhida pela generosidade. A mesma que me sustenta neste difícil, doído momento em que, mais uma vez, ajudada por companheiros estou pulando uma grande, imensa fogueira.

Um dia conto com detalhes esta fogueira e as trevas que a precederam.
segunda-feira, 19 de março de 2007 2 comentários

PEDACINHO DE DEUS...

O segundo dia de fevereiro acordou assim com uma manhãzinha manhosa, chuvosa gemendo ócio, feriado, cama, aconchego macio, quarto quentinho e colo de mãe. Acordou espreguiçando os olhos.
A manhã deliciosamente nublada foi remexer os baús e me lembrou uma conversa que tive um dia desses com Binho, o filhote do meio. Amado que só ele.Meio sol, meio lua, agridoce como um tempero de sushi, de frango xadrez, manga com arroz integral.Combinação assim que encanta pra sempre.Quando lembrada, enche o céu da boca de água, mas exige garimpagem na descoberta e precisa ser saboreada de pouquinho e com o freguês certo que terá que tourear os dias de açúcar e os nem tanto.
Pois numa conversa dessas que só tem começo, Binho me falava da diferença entre homens e mulheres. Dos homens não me lembro direitinho de como ele enquadrava a espécie, só sei não era lá muito agradável pro gênero masculino. O que ficou na memória da minha pele e no chip de todas as minhas gerações foi a declaração sobre as mulheres, que eu já quero incluir no dia 8 de Março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher.
A mulher, mama?, indagava-respondendo ele, enquanto driblava o trânsito enlouquecido de Belém. A mulher é um pedaço de Deus na terra.
Olhei pra ele com o rabo do olho, sorri com a alma e guardei o dito. No coração.
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A INCLUSÃO TEM NOME...

Amiga do peito é aquela que o certificado de garantia nunca vence. Acho que foi ou mais ou menos isso que eu disse pra mana Zildinha há décadas, tempo de outras histórias, sempre com muita vida, muito giro, muito movimento.Sentimento sentido noutra época, lá atrás, e que caminha íntegro até hoje.
Bom sentir isso, melhor constatar a qualidade desse sentir.
Ficamos juntas sempre? Não. Todos os sufocos foram passados juntos? Também não.
Os risos foram compartilhados sempre? Não. Mas ele, o carinho, sempre cuidou dos desencontros pra que nada se perdesse na hora de reencontros. E a cumplicidade é sempre atualizada pelos encantamentos dos vários saberes, quereres.
A roda do tempo girando, amores indo e vindo, uns mais indo que vindo, tempos de ursa, tempos de praça e forró, tempos de estio. Ali, no lastro, o carinho, seringueira gigante a abrigar passarinho de todo tipo, criando ninhos, fazendo laços.
No dia-a-dia, o carinho-bússola sempre ali, com aconchego, riso alto, comidinha gostosa,choros e birinaite, que ninguém é de ferro. Na aparência, uma festa só. Pra comemorar a vitória da vizinha-povo,pros 30 dias de reviravolta sem sobressalto, de alguém que passou em qualquer coisa, pra abertura ao público do armário-Cecília--finalmente-pronto, pela camona comprada, pro quarto branco-Isolda,a viagem indiana da curumin, a lua cheia no sítio de Pepê, as carnes na mana Tyson,a despedida de Sandra e Jaquinho, a comemoração de Irezita, pro subir e descer das águas na beira do rio, pro dedinho-lambança de Tintim e risada de Marcita. Quem olhar de fora vai ver festa, riso, sarro, brincadeiras. E tem festa, mas é só pretexto pra juntar gente. Gente que ri, que brinca, que chora, leve, ousada,quieta, de todas as tribos e até sem-tribo. Única exigência: o selo do afeto, que se desdobra em solidariedade, sempre perspassado de ternura. Com jeito de descuido, mas ninguém se engane, porque até esse relaxamento tem o carimbinho do gostar e tá sempre acompanhado de um delicado olhar que passeia incluindo, sorrindo.
E é nessa roda de simplicidade e carinho que vai se dando a mais doce e firme maneira de inclusão nesses mais de 17 anos que tenho nesta vida. A inclusão-Zildinha, com jeito e cheiro de amor.
É sobre e pra ela este escrito em 6 de fevereiro, em que Belém amanheceu nublada e se assanhando até pra um friozinho. Eita cidade querida, eita mana querida. Uma,a cara da outra. Quanto a gente conhece, mais gosta.
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2007 vem se requebrando

7 de janeiro, primeiro domingo de 2007, um ano que chega faceiro, se requebrando, cheio das lambanças, das esperanças. Hum hum, um ano bom. Tomo suco verde, converso com Pai do Céu, volteio pela net e resolvo ir bater o ponto na Praça da República.Domingo, dia de feirinha, de cantorias e de encontros. Mas praça sem Gigi não dá, aí eu chamo minha irmã-cúmplice-camarada, pego Magé pelo braço, amigão do samba e do cotidiano e lá vamos nós. De Pedreira Nazaré, busão sufocante todos os dias, menos aos domingos.
Domingo, o Pedreira Nazaré vai quase vazio e voa na Pedro Miranda. Quando alguém faz sinal ou puxa a cordinha, ele pára aos solavancos.Num desses, entra o primeiro amigo de Magé e convida pra reunião do samba e da gelada no acadêmicos da Pedreira. Como todo bom malandro ele abre o sorrisão e diz que vai. Depois outro entra e convida pro Bole-Bole e ele diz de novo que vai. Um terceiro convida pro Quem São Eles. O busão já entra na Alcindo Cacela, rumo à Praça. Magé tá parece político, distribuindo promessas. Descemos na Praça,ele todo solícito, conversador. Me descuido um instantinho e ele some parecidinho salário de bancário ou servidor público. Vai ao encontro das melodias, de muitos sambas. Só chegará em casa à noite, com as cantorias escorrendo pelos dedos e as lembranças se grudando nele.
A praça fervilha de gente que vende, que compra, que mais olha do que compra, que berra o Evangelho, que lota a banca do Alvino. Todos andando sem atropelos, porque domingo é dia de mãe, de carrinhos de bebê, de respirar a praça, os amigos. De parar em cada banca, pegar as coisas, dizer que é bonito o trabalho e não levar nada. Passeiam os pés, passeia o corpo, passeiam os olhos.
Nesse vaivém, lá pelas tantas topo com um povo das antigas, uma mulherada boa de briga. Caminhando lentamente, com um jeito bom de caminhar, o de quem espera o que é bom. Noutra quebrada encontro recém-secretários de Estado sorridentes, muito à vontade, com o selo da esperança-desafio na testa, na pele, no olhar. Conversas vão se cruzando, abraços de boa sorte vão sendo dados. É uma hora sem avaliação; no máximo, alguns diagnósticos, primeiras impressões e muitos desejos de que tudo corra bem. Só maré boa.
Chega a hora da bóia. De parar em algum canto,na Estação de preferência, comer uma coisinha, olhar o rio, bonito, cheião, falar, ouvir, serenar.
Eita domingo bom, sereno, cheio de mamolejo, preguiçooooso, gostoooso. Tá indo embora, mas com cara de retorno, embora não prometa nada. Talvez por ser o primeiro de um ano que o coração da gente, um danado de otimista,teimoso, exige que seja pra lá de melhor.
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O sonho de papai

Papai é um homem da alegria, do bom humor. Tem 83, quase 84 anos, mas é todo sajica, durinho, conversador. Adora andar de ônibus de Bragança pra Belém e nesta Belém de meu Deus, então.. Como roda até a hora do almoço, quando faz a parada básica e antes da chuva lá vai ele, descobrindo os roteiros dos ônibus. Vai ver o rio todo dia, ele que pescou tanto, peixes, idéias, gentes, sentimentos. Volta na hora da janta e vai decobrindo panela. Com uma fominha de casa, de família, mas a alegria grudada nos olhos que já viram milhões de cenas. E sempre contando histórias alegres.
Hoje ele acordou mais alegre. Sonhou com um milharal cheio de milho e o sol batendo no milharal. Me disse que é sinal de alegria, prosperidade, tempo bom.
Tomara, veinho, tomara. Como diz uma amiga-irmã, esse milho vem bem a calhar.
Te amo, paizinho!
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SONHOS..

Enquanto a gente dorme,
eles caminham.
Se perdem,
se acham
e quando nossas naves estão pra se abrir
eles aparecem.
Inteiros, ou aos pedaços,
cara de gente.
E antes que o dia entre, eles se instalam
a encher nossas cabeças
de caraminholas.
São trovadores anônimos de outras épocas
que cantam esperança nas vidas
ou temperam com sal as nossas feridas,
os nossos ardumes.
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2007 tá na área...

2006 está chegando ao fim. Um ano que, para mim, trouxe a sombra, o desvão, o limbo, o não-estar. E o aprendizado. Na verdade, um reaprendizado que se traduz em dar valor ao que tem valor mesmo. Ano em que o carinho d@s amig@s esteve estendido pra que eu não me machucasse, pra que tateasse sem ir ao chão.
Alguns amigos estiveram bem perto; outros, nem tanto, mas todos se alegraram muito quando emergi e consegui rir, sorrir, gargalhar, viver. Quando fixei os olhos em um ponto olhando pra esse ponto; quando estiquei os dedos e voltei a tocar e pegar com as próprias mãos; quando andei com os pés, quando dobrei os joelhos sem sentir dor; quando o corpo, já magrinho, voltou a se encher, pouco a pouco e o paladar estalou de alegria diante dos cheiros e sabores. Quando rezar voltou a significar encontro com Deus. Quando, enfim, voltei a perceber sentido na vida.
2006, que agora se vai, foi um ano-mestre. Deixa em mim a memória da pele do conhecimento, de amor, de dor. E da alegria dos reencontros.
Só me resta agradecer. A cada um, a cada uma. Aos que cantaram, aos que choraram, aos que oraram, aos que estiveram mais perto ou mais longe, aos que estão e aos que são.
Com muito, muito amor e torcendo para que estejamos juntos em 2007, 2008, 2009....... Com o entranhamento do amor, do respeito, da solidariedade.
Beijos,
Veruskaya
terça-feira, 1 de fevereiro de 2005 2 comentários

Conversando com o medo

O trecho era Marabá-Carajás. Na programação, 20 minutos de vôo num bimotor que levava 10 pessoas, incluindo os 2 pilotos. Fiquei lendo uma revista, mas como ela não prendia a atenção,resolvi olhar a paisagem. Minutos depois, vi os mesmos bois parainhos lá embaixo. Devia ser imaginação. Quando passamos pela sexta vez e eu via mesma cena, tive a certeza: estávamos dando longas voltas entre Marabá e Carajás. Não há porta separando a gente da tripulação e eu comecei a perguntar: moço, o que tá havendo? Sem inquietação. Mas quando ouvi eles dizendo que estavam quase sem combustível e pediam pelo rádio a informação de enquanto tempo o tempo abriria, comecei a balançar.
O medo se grudou em mim no minúsculo avião e eu só respirei fundo, olhei pra trás, mas ninguém parecia perceber nada. Bati no vidro tentando chamar a atenção de uma colega, mas acho que vários medos já estavam se apossando dos passageiros.
Rezei e entreguei tudo na mão de Deus, que as coisas só acontecem com a gente se Ele quiser. Pensei nos meus 3 filhotes, todos grandões, mas sempre filhotes. Na minha irmã queria. No meu pai, nos amigos. Nas tantas lutas travadas.
Meu coração se aliviou. O medo respirava no meu cangote, mas eu nem tava mais no avião. Minha alma tava longe.
Olhei as nuvens densas que nos impediam de ver a serra dos Carajás e quando pisquei, vi o sol invadindo as nuvens e mostrando a serra. Foram uns 2 minutos, mas o suficiente pro avião embicar caçando a pista.
Em terra firme, 1 hora e 40 minutos depois de sairmos de Marabá, dei graças a Deus. Um gringo que iria pra Oriximiná, desistiu de continuar no avião, contratou um carro. Queria a certeza do chão memsmo que mais demorada.
Nós, com todos os riscos à vista, continuaríamos nas asas de passarinho, como diz uma colega do trabalho.
 
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