Fidel nos deixou na madrugada deste sábado 26/nov/16, aos 90 anos.
Não é pra qualquer um enfrentar o poderio de um império como o dos Estados Unidos, superar 638 tentativas de assassinato, ter um embargo econômico por 5 décadas seguidas e triunfar. Não é pra qualquer um!
Viva Fidel!
Viva a luta cubana!
Viva a utopia!
Viva a resistência!
Viva a revolução!
Deixo aqui a poesia de Ruy Guilherme Paranatinga Barata, poeta e comunista paraense, para homenagear Fidel Castro Ruiz, eterno comandante:
"E cresço na aurora livre
galopando esse corcel.
cresço no verso espumando entre as linhas do papel.
cresço rubro de esperança
na barba de Don Fidel."
(Ruy Barata - in: Canção dos quarenta anos)
#RIPcomandanteFidel
*
Entrevistei queridas médicas cubanas que serviram aqui no Pará em Melgaço vindas ao nosso país via o brilhante program Mais Médicos. E minha casa muitas vezes foi a embaixada de Cuba, solidária e alegre. Elas me falamra de Cuba, de Fidel. Amam Fidel, o caminho construído que tem hoje uma das melhores medicinas do mundo,m uma educação pública de qualidade e uma saúde de dar inveja. Não conhecui a ilha ainda. Verei como será sem Fidel.
*
Muita gente querida postou algo sobre Fidel.
Vou deixar aqui o post de Vicente Rodrigues, expressado em seu perfil no Facebook
Como seria Cuba sem Fidel e a Revolução Cubana?
>Os Estados Unidos não bloqueariam economicamente o país por décadas, buscando arruinar a economia cubana;
Mas Cuba não seria soberana, e jamais poderia ter contribuído decisivamente para acabar com o apartheid e o colonialismo na África.
Os celulares "Apple" e os carros "General Motors" seriam novos em folha;
>Mas a fome e a falta de atendimento médico atingiriam boa parte da população
Haveria mais crianças com tênis "Nike" nas ruas;
E também crianças dormindo nas ruas.
Os jornais seriam menos comprometidos com o governo;
E completamente comprometidos com grupos empresariais nacionais e transnacionais.Enfim, o fato é que seria uma outra Cuba, bem diferente.
E temos uma boa pista disso nos dias de hoje.
Há um pedacinho do território de Cuba que não é administrado pelos cubanos, mas sim pela "maior democracia do mundo.
Trata-se da prisão de Guantánamo (ou "GTMO", como chamam carinhosamente os gringos o centro de tortura que montaram em território cubano surrupiado antes da Revolução.
*
Mensagem de Lula sobre o falecimento de Fidel
DESCANSE EM PAZ, COMPANHEIRO FIDEL
Morreu ontem o maior de todos os latino-americanos, o comandante em chefe da revolução cubana, meu amigo e companheiro Fidel Castro Ruz.
Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres de minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança.
Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania.
Eu o conheci pessoalmente em julho de 1980, em Manágua, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista. Mantivemos, desde então, um relacionamento afetuoso e intenso, baseado na busca de caminhos para a emancipação de nossos povos.
Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei.
Será eterno seu legado de dignidade e compromisso por um mundo mais justo.
Hasta siempre, comandante, amigo e companheiro Fidel Castro.
Luiz Inácio Lula da Silva
São Paulo, 26 de novembro de 2016 .
*
Mensagem de Dilma sobre o falecimento de Fidel
Sonhadores e militantes progressistas, todos que lutamos por justiça social e por um mundo menos desigual, acordamos tristes neste sábado, 26 de novembro.
A morte do comandante Fidel Castro, líder da revolução cubana e uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor.
Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte.
Um homem que soube unir ação e pensamento, mobilizando forças populares contra a exploração de seu povo.
Foi também um ícone para milhões de jovens em todo o mundo.
Meus mais profundos sentimentos à família Castro, aos filhos e netos de Fidel, ao seu irmão Raul e ao povo cubano.
Minha solidariedade e carinho neste momento de dor e despedida.
Hasta siempre, Fidel!
Dilma Rousseff
Presidenta eleita pelo voto popular brasileiro,
*
A blogueira Maria Frô também fez um belo texto sobre Fidel.
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domingo, 27 de novembro de 2016
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Hasta siempre, Fidel! A luta continua, comandante! Viva a revolução cubana!
sexta-feira, 4 de julho de 2014
8 de Março,
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Programa Mais Médicos no Pará é solidariedade e saúde na veia. O exemplo de médicos cubanos que atuam em Melgaço.Pará, ilha do Marajó
Férias pra que te quero! Com astral lá em cima, as três médicas cubanas Maribel Saborit, Oyainis Diaz e Maribel Herrera, já estão hoje em Cuba, em merecidas férias, após 9 meses direto de trabalho em Melgaço.Pa, ilha do Marajó e mais o tempo de treinamento. Assistirão Brasil x Colômbiam torcendo muito pelo Brasil. "Eu não gostava de futebol, mas depois de ver esta Copa, gosto muito agora", disse animada Oyainis Diaz, com quem conversei antes dele embarcar de Belém.Pa pra Manaus.AM e de Manaus pra Havana, Cuba. E em Melgaço continuam no batente Orlando, que tira férias em agosto e a médica Arelis, que chegou em março deste ano. O time agora é de cinco.
Melgaço.Pa, ilha do Marajó, como é sabido, tem péssimos indicadores de qualidade de vida. Tem o pior IDH - Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, o que exige ação firme e pronta do poder público pra melhorar a condição de vida da população composta por 24 mil habitantes, dos quais 12 mil não sabe ler e nem escrever, apenas 681 pessoas frequentam o ensino médio, saneamento é zero, saúde é rarefeita e internet só de vez em quando e apenas por celular. O município não atendido pela rede bancária e fica longe 14 horas de barco de Belém e 1 hora de Breves, que acaba sendo uma espécie de capital para Melgaço e arredores.
Perguntei pra Oyainis o que mudou pro povo de Melgaço nesses 9 meses de atendimento direto do Programa Mais Médicos que trouxe ao Pará mais de 580 médicos a 130 dos 144 municípios, incluindo 4 distritos indígenas.
Ela responde na bucha:
- Mudou o atendimento à população que é mais rápido e mais próximo das pessoas. É o médico presente na casa e na vida das pessoas, o que não havia antes. Trabalhamos muito a atenção básica, como cuidar da pressão arterial, tratar a água, surtos de diarréia, como usar camisinhas, itens simples e que evitam internações, doenças e mortes.
A atenção básica à saúde, principal mote do vitorioso Programa Mais Médicos, do governo Dilma, é reconhecido até por governos tucanos, como recentemente ocorreu em Belém.Pa, quando o secretário de saúde do Estado, Hélio Franco disse "que 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Atenção Primária, como por exemplo, com o controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial, daí a importância desse programa, que prioriza o primeiro nível de atenção à saúde. Eos gestores paraenses estão satisfeitos com o Programa Mais Médicos no Pará, porque já está havendo redução de internações".
O programa Mais Médicos, bateu todas as metas de cobertura e hoje beneficia 50 milhões de pessoas em todo o Brasil. O Mais Médicos está presente em 3.819 municípios. São 14.462 médicos (brasileiros e estrangeiros) atuando em postos de saúde no Brasil. Na minha opinião, prefeituras como a de Belém e Ananindeua deveriam aderir ao Programa Mais Médicos e assegurar à população um atendimento melhor e mais humano e eficaz de saúde. Não propiciar esse atendimento a Belém, suas 30 ilhas e Ananindeua, é um crime.
Carestia - Como o rio é a rua e tudo chega de barco em Melgaço.Pa, a travessia de alimentos e todos os produtos fica muito mais caro. 1 maçã pequena custa R$1,50. Falar com alguém em Cuba por 1 ou 2 minutos, custa R$10,00, me informa Oyainis, acrescentando que desde maio deste ano a prefeitura de Melgaço liberou que as 4 medicas e o médico Orlando possam telefonar pros seus familiares usando o fone da prefeitura. "Isso melhorou muito a saudade", diz ela.
Cuba vive até hoje feroz embargo econômico os Estados Unidos, uma das razões por não ter entrada de produtos eletrônicos em larga escala. Por isso, na bagagem Oyainis carrega uma tv de 32 polegadas desde Melgaço até Belém, depois Manaus e Havana. Presente pra família e pro filhote de 7 anos, Richard Jose Quiñones Santos, um tablet e um macaquinho eletrônico.
Levar toda essa bagagem e a imensa saudade demora. Oyainis saiu de Melgaço no domingo à tarde, viajou de barco a noite toda e chegou em Belém na segunda-feira de manhã. Embarcou na quarta-feira 2 de juho pra Manaus.AM e ontem à tarde pra Havana. Chegou em Havana ontem à noite, dormiu num albergue para médicos e viajou hoje para Morón, cidade cubana distante de Havana 6 horas. Me garantiu que vai assistir Brasil x Colômbia com a família. "E torcer pro Brasil ganhar"!
Não deixe de ver o documentário Dr. Melgaço, feito pelo Diário do Centro do Mundo.
Leia mais sobre Mais Médicos em Melgaço, clicando aqui.
Melgaço.Pa, ilha do Marajó, como é sabido, tem péssimos indicadores de qualidade de vida. Tem o pior IDH - Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, o que exige ação firme e pronta do poder público pra melhorar a condição de vida da população composta por 24 mil habitantes, dos quais 12 mil não sabe ler e nem escrever, apenas 681 pessoas frequentam o ensino médio, saneamento é zero, saúde é rarefeita e internet só de vez em quando e apenas por celular. O município não atendido pela rede bancária e fica longe 14 horas de barco de Belém e 1 hora de Breves, que acaba sendo uma espécie de capital para Melgaço e arredores.
Perguntei pra Oyainis o que mudou pro povo de Melgaço nesses 9 meses de atendimento direto do Programa Mais Médicos que trouxe ao Pará mais de 580 médicos a 130 dos 144 municípios, incluindo 4 distritos indígenas.
Ela responde na bucha:
- Mudou o atendimento à população que é mais rápido e mais próximo das pessoas. É o médico presente na casa e na vida das pessoas, o que não havia antes. Trabalhamos muito a atenção básica, como cuidar da pressão arterial, tratar a água, surtos de diarréia, como usar camisinhas, itens simples e que evitam internações, doenças e mortes.
A atenção básica à saúde, principal mote do vitorioso Programa Mais Médicos, do governo Dilma, é reconhecido até por governos tucanos, como recentemente ocorreu em Belém.Pa, quando o secretário de saúde do Estado, Hélio Franco disse "que 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Atenção Primária, como por exemplo, com o controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial, daí a importância desse programa, que prioriza o primeiro nível de atenção à saúde. Eos gestores paraenses estão satisfeitos com o Programa Mais Médicos no Pará, porque já está havendo redução de internações".
O programa Mais Médicos, bateu todas as metas de cobertura e hoje beneficia 50 milhões de pessoas em todo o Brasil. O Mais Médicos está presente em 3.819 municípios. São 14.462 médicos (brasileiros e estrangeiros) atuando em postos de saúde no Brasil. Na minha opinião, prefeituras como a de Belém e Ananindeua deveriam aderir ao Programa Mais Médicos e assegurar à população um atendimento melhor e mais humano e eficaz de saúde. Não propiciar esse atendimento a Belém, suas 30 ilhas e Ananindeua, é um crime.
Carestia - Como o rio é a rua e tudo chega de barco em Melgaço.Pa, a travessia de alimentos e todos os produtos fica muito mais caro. 1 maçã pequena custa R$1,50. Falar com alguém em Cuba por 1 ou 2 minutos, custa R$10,00, me informa Oyainis, acrescentando que desde maio deste ano a prefeitura de Melgaço liberou que as 4 medicas e o médico Orlando possam telefonar pros seus familiares usando o fone da prefeitura. "Isso melhorou muito a saudade", diz ela.
Cuba vive até hoje feroz embargo econômico os Estados Unidos, uma das razões por não ter entrada de produtos eletrônicos em larga escala. Por isso, na bagagem Oyainis carrega uma tv de 32 polegadas desde Melgaço até Belém, depois Manaus e Havana. Presente pra família e pro filhote de 7 anos, Richard Jose Quiñones Santos, um tablet e um macaquinho eletrônico.
Levar toda essa bagagem e a imensa saudade demora. Oyainis saiu de Melgaço no domingo à tarde, viajou de barco a noite toda e chegou em Belém na segunda-feira de manhã. Embarcou na quarta-feira 2 de juho pra Manaus.AM e ontem à tarde pra Havana. Chegou em Havana ontem à noite, dormiu num albergue para médicos e viajou hoje para Morón, cidade cubana distante de Havana 6 horas. Me garantiu que vai assistir Brasil x Colômbia com a família. "E torcer pro Brasil ganhar"!
Não deixe de ver o documentário Dr. Melgaço, feito pelo Diário do Centro do Mundo.
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| Richard Jose, 7 anos e a mãe, a médica cubana Oyainis Diaz: saudade muita. |
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| Oyainis Diaz e compositor Magé, fiel escudeiro em Belém. Junho/2014 |
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| Rua de Melgaço. Foto: Google |
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| Foto do povo de casa dez/13 com médicas e médicos cubanos e sindicalista Josilene. |
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| Orlando, Maribel Herrera, Maribel Saborit e Oyainis Diaz, em Belém, no Bosque Rodrigues Alves, dez/13. |
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| Maribel Saborit, Maribel Herrera e Oyainis Diaz com meu filhote Adriano, em dez/2013. |
Leia mais sobre Mais Médicos em Melgaço, clicando aqui.
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P.S - Três boas novas neste P.S. 1. Reassume hoje a prefeitura de Soure o compa prefeito João Luís, afastado por medidas arbitrárias há 24 dias; 2. o compa Dênis, do valente Sindicato dos Urbanitários.Pa avisa pelo whatsApp que o sindicato ganhou na Justiça a ação de reintegração de 37 trabalhadores demitidos em 2013 pela medonha Celpa, empresa que não presta pra nada. Com indenização de 15 mil pra cada demitido; 3. começa hoje em Manaus.AM o 3º módulo do curso de Formação de Formadores da Juventude, promovido pelas CUTs da Região Norte. Lindas notícias pra este dia em que jogam Brasil x Colômbia e meu placar é 2 x 1!
domingo, 29 de dezembro de 2013
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No Brasil247: a lição dos médicos cubanos no pior IDH do país
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Aqui, o post do Brasil 247. E aqui, o post original.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
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Missão humanitária, humildade e generosidade ou o exemplo de médicos cubanos em Melgaço no Marajó.
Melgaço, no Marajó.Pará, tem o pior IDH - Índice de Desenvolvimento Humano do país, segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, divulgado no final de julho. São 24 mil habitantes, dos quais 12 mil não sabe ler e nem escrever, apenas 681 pessoas frequentam o ensino médio, saneamento é zero, saúde é rarefeita e internet só de vez em quando e apenas por celular. O melhor de Melgaço é o povo, as pessoas, atestam Maribel, Oyainis e Maribel as três médicas e o médico cubano Orlando que estão morando e trabalhando no município marajoara desde 21 de setembro, há quase 3 meses. Eles integram o programa audacioso e certeiro "Mais Médicos", que leva assistência e médicos a municípios carentes e vulneráveis. Ponto pro Ministério da Saúde e pra presidenta Dilma Rousseff.
Se o povo é o melhor de Melgaço, o pior é a água. Ribeirinho, Melgaço não tem água tratada e nem saneamento básico. Isso gera micoses e contaminações genitais. Há gravidez muito precoce e um índice alarmante de hipertensão que atinge muitos jovens, resume o quarteto médico cubano que atende 24 pessoas, no mínimo,todo dia em Melgaço, de segunda a sexta. Com a consulta média de 30 minutos, salvo situações mais complicadas e que exigem mais tempo. Em todas as consultas, a medicina preventiva em ação: tratar a água com hipoclorito de sódio, ferver a água, só pra citar um exemplo.
Pobreza e generosidade - Quase a metade, 48% da população de Melgaço é pobre, aponta o Mapa da Pobreza do IBGE publicado em 2003 Grande parte da população do campo tem remuneração de R$ 71,50, fazendo com que as famílias na zona rural sobrevivam, em média, com R$ 662 por mês - menos que um salário mínimo. As distâncias são grandes e se leva até 15 dias pra cruzar o espaço de mais de 6 mil quilômetros.Com toda toda essa adversidade, o povo de Melgaço é acolhedor e generoso, garantem as médicas e o médico cubanos.
15 horas de barco -Em português entrevistei as três médicas e o médico ontem (19.dez) à
noite, em Belém. Na capital, fizeram um treinamento na área de saúde e retornam segunda-feira 23, bem no período de recesso natalino. De Melgaço a Breves, uma hora de barco e de Breves a Belém, mais 14 horas. Ao todo 15 horas pra chegar em Belém, atravessando a baía do Marajó. Maribel Morera Saborit, Oyainis Santos Diaz, Orlando Penha e Maribel Hernández, médicas e médico cubanos se conheceram não em Cuba, país em que nasceram, estudaram, se formaram, casaram, tiveram filhos e trabalharam. Foi em solo brasileiro, em Brasília, que os quatro se encontraram pela primeira vez, em agosto. Agora trabalham em Melgaço e lá ficarão por 3 anos.
9 anos de estudo -Nem a imensidão de água da baía do Marajó, o calor ou as travessias de barco até as comunidades assustam o quarteto médico cubano. Os quatro trabalharam em missões humanitárias na Venezuela e na Bolívia. Estudaram os nove anos da formação de medicina cubana: 6 da medicina geral e mais 3 da medicina integral, algo semelhante à residência médica brasileira, em que a especialização é feita juntamente com trabalho prático. E os quatro trabalhavam em Cuba. Maribel Saborit
tem 21 anos de profissão. Maribel Hernanez, 19 anos. Oyanis, 8 anos e Orlando, 22 anos. Cuba orientou como critério de participação no programa Mais Médicos, o mínimo de uma missão humanitária.Orando esteve no Paquistão e Venezuela. Oyainis, na Venezuela. Maribel Saborit e Maribel Hernandez, na Venezuela e Bolívia. Além dos 9 anos de estudo, atuação em uma missão humanitária por 3 anos.
Um médico em casa? -Embora o quarteto fale num bem compreensível portunhol, indago se não falarem bem o português fez com que algum paciente deixasse de entendê-los. "De jeito nenhum diz Oyainis. A gente olha pra eles, conversa e se entende. Fazemos um amplo interrogatório, anotamos, fazemos exames físicos completos". E Maribel Saborit completa: "o povo é muito acolhedor, generoso e agradecido. Fomos a uma comunidade ribeirinha, fizemos travessia de barco e na casa de um senhor diabético de 86 anos ouvimos, depois do exame: 4 médicos aqui, quatro médicos me visitando em casa, meu Deus posso morrer feliz. Nunca tinha visto um médico"!
Sem essa de dr, dra - Fico surpresa quando me dizem que se apresentam aos pacientes como Maribel, Oyainis, Orlando. Assim, sem dr., dra, termos que aqui no Brasil são acrescidos à profissão de médicos. Maribel Saborit ri e me diz: "por que dr., dra? Somos iguais, só tivemos mais chance de estudar, ter uma graduação. Mas nossa identidade é a mesma de quando nascemos".
Nem açaí e nem farinha - Como a jornada de trabalho em Melgaço é de 40 horas semanais, igual a Cuba, pergunto o que fazem no final de semana pra driblar a saudade de casa, já que as famílias ficaram em Cuba. "Lavamos e passamos nossas roupas, limpamos nossos quartos, lemos, entramos na internet pra passar correio eletrônico, descansamos". E Orlando informa que em julho vão de férias a Cuba.
Os quatro me contam que Belém e Melgaço são "mais quente que Cuba", mas isso não atrapalha. Gostam da comida à base de peixe, frango, carne, arroz, feijão. Só açaí e farinha não faz parte do cardápio deles. "Muito forte o açaí" diz Maribel Saborit sorridente. Eu afianço a elas e ele que não sabem o que estão perdendo. E rimos todos.
Internet, problemão - O contato com a família é via e-mail, pois falar pelo celular é muito caro. Cada um tem um tablet 3G, que faz parte dos equipamentos do Mais Médicos. E eles compraram um pacote basicão da Vivo, "mas os créditos somem muito rápido", se queixam. Como falar por telefone é caro demais, sobra conversar por e-mail na internet do celular.
Eu digo a elas e ele que quem mora e luta na Amazônia quando vara uma notícia pro mundo, rompe o cordão sanitário do isolamento em que nos encontramos. O acesso à internet poderia ser uma forma de ajudar a romper esse cordão, mas temos o pior acesso de todas as cinco regiões do país e no Marajó, o pior acesso do Pará. Estamos ilhados, portanto.
Rendimentos compartilhados - Afinal, o que vocês ganham de salário fica com vocês ou vai pra família, indago? "Parte fica conosco, parte vai para nossas famílias e outra parte vai para o nosso governo, para ajudar o nosso povo cubano, me diz Maribel Hernandez. Mas o que ficamos é suficiente para nos manter, para lazer. A prefeitura de Melgaço paga nosso alojamento e esse é muito bom: tem um quarto para cada um de nós, com banheiro, cama, ar condicionando. Temos mais que suficiente", fala Maribel Saborit. E Oyai
nis completa: "a saúde em Cuba precisa da ajuda de todos nós, porque o país sofre um embargo econômico que é muito doloroso para nossa gente. Então, a ajuda precisa vir de nós, cubanos e de nossos aliados".
Faz parte da nossa formação retribuir - A conversa vai chegando ao fim, pois há várias pessoas chamando o quarteto médico cubano e querendo tirar fotos, indagar, conversar, rir junto. E eu faço a última inquirição: o que fez vocês saírem de Cuba e vir pra Melgaço? E Maribel Saborit diz": olha, faz parte da nossa formação ajudar países e pessoas mais necessitadas com nosso conhecimento que foi dado de forma coletiva e gratuita. Só estamos retribuindo".
Encerramos a conversa e eu fico matutando que grandeza é essa de Cuba e do seu povo que tanto tem a nos ensinar! Se eu conheço quantos médicos do meu país que fariam algo semelhante aqui mesmo. Em janeiro vou a Melgaço numa caravana formativa da Fetagri/CUT no Marajó. Quero rever meu novo quarteto camarada e amigo e conversar com o povo atendido pelas médicas e pelo médico cubanos. (V.P)
E só finalizando mesmo: fizemos uma pequena homenagem às 3 médicas cubanas e ao médicos cubano ontem à noite na formatura de encerramento do curso de Formação de Formadores promovido pela Escola Chico Mendes da Amazônia e da qual participamos 46 pessoas, de todas as CUTs da Amazônia.
Pobreza e generosidade - Quase a metade, 48% da população de Melgaço é pobre, aponta o Mapa da Pobreza do IBGE publicado em 2003 Grande parte da população do campo tem remuneração de R$ 71,50, fazendo com que as famílias na zona rural sobrevivam, em média, com R$ 662 por mês - menos que um salário mínimo. As distâncias são grandes e se leva até 15 dias pra cruzar o espaço de mais de 6 mil quilômetros.Com toda toda essa adversidade, o povo de Melgaço é acolhedor e generoso, garantem as médicas e o médico cubanos.
15 horas de barco -Em português entrevistei as três médicas e o médico ontem (19.dez) à
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| Orlando, Maribel Hernandez, Maribel Seborit e Oyainis. |
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| Maribel Hernandez |
tem 21 anos de profissão. Maribel Hernanez, 19 anos. Oyanis, 8 anos e Orlando, 22 anos. Cuba orientou como critério de participação no programa Mais Médicos, o mínimo de uma missão humanitária.Orando esteve no Paquistão e Venezuela. Oyainis, na Venezuela. Maribel Saborit e Maribel Hernandez, na Venezuela e Bolívia. Além dos 9 anos de estudo, atuação em uma missão humanitária por 3 anos.
Um médico em casa? -Embora o quarteto fale num bem compreensível portunhol, indago se não falarem bem o português fez com que algum paciente deixasse de entendê-los. "De jeito nenhum diz Oyainis. A gente olha pra eles, conversa e se entende. Fazemos um amplo interrogatório, anotamos, fazemos exames físicos completos". E Maribel Saborit completa: "o povo é muito acolhedor, generoso e agradecido. Fomos a uma comunidade ribeirinha, fizemos travessia de barco e na casa de um senhor diabético de 86 anos ouvimos, depois do exame: 4 médicos aqui, quatro médicos me visitando em casa, meu Deus posso morrer feliz. Nunca tinha visto um médico"!
Sem essa de dr, dra - Fico surpresa quando me dizem que se apresentam aos pacientes como Maribel, Oyainis, Orlando. Assim, sem dr., dra, termos que aqui no Brasil são acrescidos à profissão de médicos. Maribel Saborit ri e me diz: "por que dr., dra? Somos iguais, só tivemos mais chance de estudar, ter uma graduação. Mas nossa identidade é a mesma de quando nascemos".
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| Maribel Saborit |
Os quatro me contam que Belém e Melgaço são "mais quente que Cuba", mas isso não atrapalha. Gostam da comida à base de peixe, frango, carne, arroz, feijão. Só açaí e farinha não faz parte do cardápio deles. "Muito forte o açaí" diz Maribel Saborit sorridente. Eu afianço a elas e ele que não sabem o que estão perdendo. E rimos todos.
Internet, problemão - O contato com a família é via e-mail, pois falar pelo celular é muito caro. Cada um tem um tablet 3G, que faz parte dos equipamentos do Mais Médicos. E eles compraram um pacote basicão da Vivo, "mas os créditos somem muito rápido", se queixam. Como falar por telefone é caro demais, sobra conversar por e-mail na internet do celular.
Eu digo a elas e ele que quem mora e luta na Amazônia quando vara uma notícia pro mundo, rompe o cordão sanitário do isolamento em que nos encontramos. O acesso à internet poderia ser uma forma de ajudar a romper esse cordão, mas temos o pior acesso de todas as cinco regiões do país e no Marajó, o pior acesso do Pará. Estamos ilhados, portanto.
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| Oyainis Santos. |
nis completa: "a saúde em Cuba precisa da ajuda de todos nós, porque o país sofre um embargo econômico que é muito doloroso para nossa gente. Então, a ajuda precisa vir de nós, cubanos e de nossos aliados".
Faz parte da nossa formação retribuir - A conversa vai chegando ao fim, pois há várias pessoas chamando o quarteto médico cubano e querendo tirar fotos, indagar, conversar, rir junto. E eu faço a última inquirição: o que fez vocês saírem de Cuba e vir pra Melgaço? E Maribel Saborit diz": olha, faz parte da nossa formação ajudar países e pessoas mais necessitadas com nosso conhecimento que foi dado de forma coletiva e gratuita. Só estamos retribuindo".
Encerramos a conversa e eu fico matutando que grandeza é essa de Cuba e do seu povo que tanto tem a nos ensinar! Se eu conheço quantos médicos do meu país que fariam algo semelhante aqui mesmo. Em janeiro vou a Melgaço numa caravana formativa da Fetagri/CUT no Marajó. Quero rever meu novo quarteto camarada e amigo e conversar com o povo atendido pelas médicas e pelo médico cubanos. (V.P)
E só finalizando mesmo: fizemos uma pequena homenagem às 3 médicas cubanas e ao médicos cubano ontem à noite na formatura de encerramento do curso de Formação de Formadores promovido pela Escola Chico Mendes da Amazônia e da qual participamos 46 pessoas, de todas as CUTs da Amazônia.
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| Oyanis Santos, Maribel Hernandez, Maribel Saborit e Orlando Penha; Médicas e médico cubanos em Melgaço´. Foto Herbson Silva. |
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| O porto de Melgaço.Marajó.Pa (Foto Eunice Pinto.Ag.Pará) |
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| Oyainis, eu, Maribel e Maribel. |
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| Oyainis, Maribel, Zuleide, Maribel, Thalita e Maria do Carmo: turma da CUT.Pa com médicas cubanas. |
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| Com a companheirada cutista, da saúde, bancária, das artes domésticas e samba. |
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| No centro, de camisa amarela, o compa Serginho Trindade com o quarteto médico cubano. |
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| Na hora da entrevista, o clique verde. |
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