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domingo, 19 de agosto de 2018 0 comentários

Eita agosto de tanta emoção diversa. Uma certeza eu tenho: dia 7 de outubro, vai dar 13!

De 12 a 19 de agosto, que semana esta de emoções tão diversas, sacudindo a alma e o corpo da gente: dor, tristeza,alegria, choro, esperança, desânimo, energia, revolta, esperança de novo e um caminhar acelerado nesse processo de resistência ao golpe, sem tempo de chorar direito os lutos e curtir as alegrias.

Dia 12, niver do meu sobrinho-filho Marco Aurélio que aguarda internado direto há quase cem dias por um coração, se blindando de fé e esperança todo santo dia. Dia 14 de agosto, niver da netinha Sophia e já de noite, a notícia devastadora do desencarne do Ulisses Manaças, grande e querido companheiro do MST, abatido pelo câncer. Dia 15, em Brasília, caminhar com mais de 50 mil pessoas que foram acompanhar o registro de Lula no TSE- Tribunal Superior Eleitoral, recado ao mundo que somos todas Lula. Negociações de 2 acordos no Banco do Estado do Pará (ação judicial e campanha salarial),eleições dos comitês do Banpará em que tive a honra de ser a mais votada nos 3 comitês em que me inscrevi, o que dá mais responsa à função de representar os colegas.

O nome é Ulisses Manaças e nos deixou dia 14/8/18. Miguelzinho, neste domingo, 19/8/18.
Nesses dias também entrou no ar o tempo da propaganda eleitroral, os debates (sem Lula), população de Roraima queimando venezuelanos. Doído!
Dia 18, niver do meu filho primogênito e na madrugada deste dia 19, a notícia-pancada que outro grande e querido companheiro, Miguelzinho, tinha desencarnado, vitimado por um infarto fulminante. Ulisses , com 45 anos. Miguelzinho, 50. Ulisses, um lutador da reforma agrária e um elaborador de análises de conjuntura como poucos, alem de leve, amigo,presente. Miguelzinho, um lutador da moradia popular. E a segunda-feira, dia 20, faz 9 anos que meu mano Zé Wilson nos deixou.
 Não tá fácil!
Lina foto de Leonardo Milano/Mídia Ninja de 15/8/18, em Brasília.

É 13 - No meio desse chacoalhar de emoções, uma certeza se aconchega no meu coração: preso injustamente e mantido prisioneiro, Lula se espalha por todo o país e eu não tenho dúvidas de que vai dar 13 dia 7 de outubro, dia das eleições. É a revanche do povo, envenenado pelas mentiras da Globo, massacrado por um parlamento que votou atrocidades responsáveis por quase 30 milhões de desempregados, um povo pisoteado pela ausência de justiça de um judiciário que deveria zelar pelos direitos e pela democracia, e não confiscá-los.
Com este texto, descongelo meu blog que tá sem uma linha faz meses. E fica aqui a mensagem que fiz pro Rogério no dia do niver dele, 18. E que Deus e Nazica abençoem a semana que entra! Prossigo na luta com esperança militante:
👇
 E tu nasceste num 18 de agosto após 13 horas de loooongo e sofrido trabalho de parto, na Ordem Terceira, em Belém, às 13:40. Plena ditadura militar. 18 de agosto de 1976. >8 bebês nasceram ali naquele dia e a enfermaria exibia 8 mães com.seus curumins às 5 da tarde quando minha mana Ana Rosa e minha mãe entraram na hora da visita e a mana, botando o sobrinho no colo, disse bem alto: é o mais lindo de todos, meu Rogerinho!
As outras 7 mães meio que não gostaram dessa corujice amplificada, mas sorriram, entendendo a alegria. Era uma tia saudando a chegada do primeiro sobrinho, primeiro filho, primeiro neto.
💋
Filho, meu abraço carinhoso de parabéns pelo teu niver. Felicidades, muito aconchego, saúde, riso, saúde, paz, algum dindim, boas camaradagens e vitórias!
Vai ser feliz!
💜❤🌷🎂🎂🎂🎂🎁🎁🎁🎁🍺🍺🎢
#FamíliaÉTudoDeBom
#BDayRogério


quinta-feira, 26 de outubro de 2017 2 comentários

Paulinho Fonteles foi amor, luta e poesia. Paulinho, presente, presente, presente!!!

A notícia chegou bem cedo hoje, por zap. Paulinho Fonteles tinha sido fulminado por um infarto. Não acreditei, mas chorei, o coração adivinhando que a notícia era tristemente verdadeira.
À noite, fui ao velório na Assembleia Legislativa do Pará, mesmo lugar em que, há 30 anos, grávida de meu 3º filho, Adriano, subi as mesmas escadarias para velar o corpo do companheiro Paulo Fonteles, o pai, assassinado brutalmente pelo latifúndio.
Foi difícil subir as escadas, com a história passando um filme veloz e triste na minha frente, reencontrando companheiros e companheiras de muitas décadas de jornadas .
Lembrei do sorriso doce de Paulinho e de quando compartilhávamos  debate sobre a conjuntura, já sob o golpismo de Temer e seus aliados. Ele, um combatente firme e otimista, cheio de planos e de tanta vida! Ir embora aos 45 anos, parece uma tremenda sacanagem com a gente.
Que tempos!
Que Paulinho siga na luz! E muita força para a companheira de jornada, familiares e a legião de amigos e amigas que ele tão bem cativou, sendo luta, amor e poesia!

Republico aqui a nota da CUTPa, escrita com a emoção tropeçante deste dia tão doído!
↓. 


PAULINHO FONTELES, PRESENTE!
Nota de pesar

 Hoje, dia 26 de outubro de 2017, a luta de todos e todas que sonham e lutam por um Brasil mais justo e igualitário, teve um desfalque insubstituível com a perda precoce de Paulo Fonteles Filho, o Paulinho Fonteles, como era carinhosamente chamado.

 Nós, que construímos e fazemos a CUT.Pará, sentiremos a falta da tua parceria, do teu compromisso com a luta, da tua garra e do teu jeito menino e doce de ser. Firme, sem perder jamais a ternura, nisso lembrando outro grande revolucionário!

A história de vida de Paulinho fala por si só. Nasceu no cárcere da ditadura, militou no movimento estudantil, foi vereador de Belém pelo PCdo B, e tornou-se um dos principais militantes dos direitos humanos no Pará, tanto que comandava o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos e era membro da Comissão Estadual da Verdade (CEV).

Vivemos dias difíceis, de retrocessos nos direitos humanos, sociais, políticos e sindicais. Mas vamos persistir na resistência e temos certeza que esse tempo vai passar. E aí camarada Paulinho, pode ter certeza, que nós faremos a festa por ti.

Vai vem paz, Paulo Fonteles Filho, vai em paz mano guerreiro do povo brasileiro, um apaixonado pelo Araguaia, pela vida, sendo ao mesmo tempo, luta, amor e poesia!

Paulinho Fonteles, PRESENTE!

 Belém.Pa, 26/out/17.
 CUT.Pa
Paulinho Fonteles.
domingo, 10 de agosto de 2014 0 comentários

Papai me ensinou com abraço coisas simples e eternas: gostar de gente, estender sempre a mão... Feliz Dia dos Pais, seu Heraldo!

Como sinto falta desse abraço apertado que papai me deu anos atrás na casa da minha mana Ana Rosa, em Fortaleza, sob o olhar carinhoso da mamãe. Um abraço que transmitia tudo: amor, colo, força, carinho e que dizia no aconchego, filha tou contigo. 

Agora, paizinho abraça outros no andar de cima, de onde nos olha. Pai, tu sabes que te amo e que esse amor atravessa vidas. 

Foi com exemplo que papai me ensinou a gostar de gente, da vida, de animais, do mar, de plantas e de rir até de mim mesma. Passou princípios e ensinamentos de generosidade e solidariedade com mais abraços e prática que carões. Papai me empurrou pro estudo, pro conhecimento como tábua de salvação na vida, mas sempre com olhar firme, inclusivo e atento nas pessoas. Estender a mão, sempre, julgar só muito depois e se for preciso. Repartir o que tem. Mamãe dizia que ele tirava a camisa do couro se alguém tivesse sem roupa. Generoso e bem humorado como poucos.

Seu Heraldo, te amo! 
A bença, pai.
Esse abraço atravessa o tempo...

Parece que tou ouvindo ele se rebelar: e eu sou criança?

domingo, 27 de julho de 2014 0 comentários

Suassuna e as armas pra lutar contra o desespero, tristeza e morte: riso a cavalo e o galope do sonho. Ô alma pai d'égua, cheia de brasilidade e poesia!

Fiquei doída e coração pequenino quando Ariano Suassuna nos deixou dia 23 de julho e subiu pra fustigar e encantar o andar de cima com sua língua bendita e afiada. Gostava e gosto dele e da intensa brasilidade que transpirava na alma e na escrita. E da forma como se atracava na esperança e com ela  em punho nos encantava com opiniões, práticas e poesia.


Ele queria bem ao Lula, Dilma e tinha um abuso - assim como eu - da espinha dorsal vassala do FHC - Fernando Henrique Cardoso, sempre se vergando pros Estados Unidos e pra gringada.
Amanheci neste domingo 27 de julho pensando em tudo isso, dei uma buscada na net e encontrei duas frases dele que amo de paixão e este meme maravilhoso.

As duas frases dele que mais gosto:
"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."
*
"Eu digo sempre que das três virtudes teologais, sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança."

**
Análise de Ariano Suassuna sobre o governo Lula:
"O maior avanço político no Brasil ocorreu nos oito anos do governo Lula. Você não sabe a humilhação que eu sentia pela dívida do Brasil ao FMI. Olha, o presidente brasileiro não tinha condições de escolher um ministro que não fosse aprovado pelo FMI. O FMI tinha o direito de vetar. Agora, o Brasil pagou a dívida e o FMI está devendo à gente. E Lula disse: 'Já pensou que coisa chique, o FMI está devendo ao Brasil.' Foi para o povo brasileiro recuperar a autoestima.

Lula baixou o número de pessoas que viviam na miséria. Ele baixou de 34% para 18%. Ele, Lula. E o percentual deve estar mais baixo ainda porque esses dados são do ano passado.
Eu morria de vergonha do governo Fernando Henrique. Bastava dar um chapéu de doutor para ele entregar tudo.

Eu votei no Lula em todas as vezes e não me arrependo. Escrevi, falei em comício, fiz o diabo. O que eu posso fazer eu faço. Eu não tenho poder político, nem econômico, nem nenhum outro, mas tenho uma língua afiada que só a peste, e ela está a serviço do meu país."

Mais sobre Ariano Suassuna aqui.



domingo, 13 de abril de 2014 0 comentários

3 anos sem o paizinho e 34 anos do meu filhote: é vida que segue, num laboratório de emoções. Viva 13 de abril

Hoje é um dia especial pras minhas emoções e de toda a minha família. Dia em que completa 3 anos que paizinho nos deixou deste plano. E dia em que meu filhote do meio, Silvinho, completa 34 anos. Dialética pura. Vida e morte. Renascimento. Ensinamentos. Choros e risos, pura vida. 

 Paizinho, tua bênção. Meu filhote amado, parabéns e abraço chegado da mamãe patu, Lizoca, Perseu e Arthur. Te amo. 

 É vida que segue, com alegria... 

***
 P.S. Logo mais estarei no Sindicato dos Bancários do Pará participando de debate sobre democratização da mídia no Curso de Formação de Formadores do Plebiscito Popular. Um bom 13 de abril pra todoas vocês. Pra mim, um laboratório de emoções.
Abraço que ganheido  paizinho  em 2008, em Fortaleza na casa da mana. E que me acalenta nas horas difíceis.

Paizinho contemplando um dos grandes amores dele: o mar de Ajuruteua.
Filhote de costas, segurando Perseu, o filhotinho dele. O primeiro.

terça-feira, 1 de abril de 2014 4 comentários

Como se repara um golpe, se conserta uma dor, uma perda? Como se redesenha a esperança? E como é tão indecente a ditadura, grita o poeta!

Dando brilho à verdade/ Sem usar qualquer verniz/ Lembro de uma tempestade/ Destroçando este país.
Quem teve farda e maldade/ Fez nela tudo o que quis/ Com minha dignidade/ Eu protestei e não fiz.

Choveu chumbo sobre a terra/ Burros fugindo a galope/ Imaginaram ser guerra/ Quando era um simples golpe/ Um golpe na sociedade/ Ferindo a democracia/ Sepultando a liberdade.

Isto em plena luz do dia/ Cinquenta anos correram/ E de medo não corri/ Quantos lutaram e morreram/ Pela vida que vivi?/ Quantos foram aprisionados?/ Quantos? Quantos? Eu não sei./
Quantos foram torturados/ Pelos sonhos que sonhei?

Quanta gente boa e pura/ Que tanto o Brasil amou/ Mastigou na ditadura/ O pão que o diabo amassou?/
Quantos famintos ficaram/ Até hoje sem comer?/ Quantos viram e se calaram/ Tendo muito o que fazer.

Cinquenta anos passaram/ E continuo sonhando/ Meus sonhos não acabaram/ Eu é que estou acabando/
Mas na casa dos oitenta/ Vendo a velhice chegar/ Cinquenta anos, cinquenta/ Ainda quero sonhar.

Cinco décadas rolaram/ Pelo chão dos meus caminhos/ No qual as flores murcharam/ Sem que murchassem os espinhos/ E eu prossigo sonhando/ Com a justiça social/ Sonharei me acabando/ Até o minuto final.

O sonho, o sonho somente// pode o homem engrandecer./O sonho planta a semente/ Que faz o futuro nascer/ Quem sonhou com o comunismo/ Vivo ou morto honra seu povo/ Quem sonha o socialismo/
Não é velho, é sempre novo./

Oitenta anos eu tenho/ E me sinto uma criança/ O meu retrato desenho/ Com a tinta da esperança./
Apoiando a greve Banpará 2013
E ponho esta frase eloquente/ No alto da sua moldura:/ Nada existe tão indecente.

Quanto uma ditadura!!/ Cinquenta anos, cinquenta/ "Ah! Como a vida é ligeira!"/ Já não chove, o sol esquenta/ Folhas da minha mangueira./ Sou criança, não cresci/ Na minha Belém do Pará/ Porque sonhei, mereci/ Ser índio Tupinambá/

Estou nu e grito forte/ Meu sonho é minha coragem./Nasci caboclo do norte/ No tempo da Cabanagem/Digo o que penso e dizendo/ Voo como gavião/ Faço o que quero e fazendo/Todo pobre é meu irmão.

(Poema de autoria do poeta, escritor, dramaturgo e preso político da ditadura militar Nazareno Tourinho. Um amigo querido que tive a honra de trabalhar ao lado, no Banpará, em 1987, quando ele fundou a Afbepa - Associação dos Funcionários do Banpará. O nome do poema é "Cinquenta anos de sonho depois de um pesadelo").
***
André Nunes e Nazareno Tourinho
Emoção a gente vive, sente, não contabiliza. Mesmo assim, três momentos me calaram na alma e arrupiaram meus cabelos todos hoje pela manhã, durante a instalação da Comissão da Verdade, Memória e Justiça dos Trabalhadores, ato realizado por todas as centrais sindicais, OAB.Pa e Dieese.Pa na sede da OAB. Um desses três momentos, foi ver e ouvir a voz forte do amigo Nazareno Tourinho invadindo o plenário da OAB ao declamar esse belo poema escrito aí em cima.

Marcado com maçarico -Outro instante que vai ficar grudado na memória da minha pele, foi ouvir o companheiro Moacir Martins, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil falando que no período trevoso da ditadura militar, o então dirigente sindical Raimundo Gomes teve as iniciais de seu nome marcados na barriga com um maçarico.

CUT e todas as centrais sindicais, Neto (Comissão da Verdade Nacional), Dieese e OAB.
E as famílias? - E o ex-bancário do Banco da Amazônia, André Nunes foi o responsável pelo terceiro instante tocante. Com simplicidade e leveza ele falou de uma grande dor. A dor das famílias que no período da ditadura, tinham seus maridos e esposas demitidos assim sem que nem pra que. Justa causa sem saber a razão. Sem emprego, sem sustento, sem dignidade. E tudo pela ideologia de ser comunista. Ter o amor como guia. Como disse André Nunes, emocionando minha alma e de quem o ouvia: não dá pra ser comunista sem ser romântico, sem amor e sem amar a humanidade. E pediu que se conte o golpe às novas gerações de forma didática. E que a Comissão requeira uma reparação à dor das famílias.

Mais sobre o assunto aqui. 
Roberto Sena(Dieese.Pa) e Paulo Roberto Ferreira: organizando o ato.

Coleta de assinaturas para Lei da Mídia Democrática.
 A velha mídia sustentando o golpe militar

A velha mídia: grande sustentáculo do golpe de 1964.


Vídeo mostra a velha mídia como viga-mestra do golpe


sábado, 30 de novembro de 2013 1 comentários

Até que o câncer nos separe! Taí um jeito bonito de contar uma grande pulada de fogueira! Da Ruth Rendeiro, lançamento em Belém dia 5 de dezembro/Embrapa

Muito a fim de ler o livro!!!
Já encomendei meus 4 exemplares direto pelo in box do feice
com minha mana e compa Ruth Rendeiro, porque dia 5 coincide com minha a Fortal tomar a bença da minha mãezinha que inicia a químio dia 9 de dezembro, após ter pulado uma fogueirona na cirurgia de 31 pra 1º e novembro. Oncologista diz que é uma químio leve, via oral e cá comigo tenho minhas dúvidas, mas enfim, rezo baixinho: Maria, passa na frente"


Quero muito ler o livro da Ruth Rendeiro, de alguém querida que vivenciou duplamente o efeito câncer na vida, ela e o marido acometidos quase ao mesmo tempo da enfermidade e que acabou levando ele pra outro plano. 


Ruth astral. Foto recente.Fortal.CE
Ruth é tanta vida, tanta alegria, uma guerreira da esperança Gosto do seu riso contagiante e do jeito como, brinca com as letras e os problemas da vida, mantendo a leveza. Quero ser assim quando crescer!

Lamento muito não estar na tarde/noite de autógrafos, mas recomendo quem puder vá dia 5 de dezembro na Embrapa. E depois vocês me contam aqui o que acharam do livro. Se não der mesmo pra ir, talvez encontres um exemplar na Banca do Alvino, mas isso ainda não tá certo. O preço é 25 pratas. Baratinho.

****

Uma provinha do livro
Finalmente o telefonema. Guarulhos, São Paulo e todo o seu simbolismo. Salvação para mais um nortista. A esperança mora no mais rico e populoso Estado brasileiro. Nordesti nos e nortistas não se cansam de desembarcar transportando seus sonhos de uma vida melhor ou de ter direito à vida. Ele era só mais um. A voz ao telefone entrecortada, cansada. Tentava se mostrar tranquilo, menos ofegante.

Horas depois, já refeito, a descrição do hospital. Mais parece um hotel cinco estrelas. Tudo perfeito. Do atendimento na recepção à limpeza, às opções de lanche. Cama confortável, TV, banheiro, guarda-roupa. Tudo incrível. Um tom de deslumbramento in fantil a encobrir o medo.

A primeira visita da equipe médica e a primeira quimioterapia. Tudo tão novo para um homem tão dinâmico. Uma “minibomba de combustível”, como ele descrevera, lançava as gotas milagrosas em seu corpo. Começava o bombardeio na guerra contra as células demoníacas que minavam seu sangue.

No bairro onde ele morava muitas lágrimas e orações das vizinhas e pesar dos vizinhos. No grupo de fnal de semana só lamentos. O “Seu” Menino está doente. Muito doente. Um homem sem nome nem sobrenome. Um engenheiro risonho, mão aberta e prestativo. Naquele mundo festivo do subúrbio era apenas “Seu” Menino. O Papai Noel nos dezembros e folião nos fevereiros. Não conseguiam digerir a notícia da doença grave, do risco de morte, da possibilidade de sucumbir. Não há de ser nada o “Seu” Menino é bom demais. Deus e Nossa Senhora de Nazaré vão salvar nosso amigo. Desejavam e verbalizavam o desejo entre cervejas na calçada onde ele sempre estava presente.

Cada um tinha uma lembrança muito pessoal do vizinho bem-humorado. Ora como um contador de piadas e histórias hilárias, ora como um ser solidário que nunca se negava a ajudar o outro. Alguns riam entre lágrimas ao recordar quando ele se excedia nas latinhas de cerveja e ou- via – e os obrigava a ouvir – os boleros e bregas, preferências reprimidas na abstinência. E quando ele resolve cantar? lembrou outro amigo de copo. Uma fgura esse “Seu” Menino, resumiu um deles.

*
A orelha, por Elias Pinto
Uma banda de orelha é muito pouco para falar de um livro que se mostra de corpo inteiro, de coração a nu. Ruth nos convida a desnudar os sentimentos das relações amorosas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Há toda uma literatura sobre perdas conjugais.

Lembro, mais recentemente, dos livros de Joan Didion, André Gorz e Joyce Carol Oates. Se Até que o câncer nos separe divide com estes testemunhos aparentados de amor e dor a perda querida, singulariza-se pela reviravolta de uma morte anunciada, que era a da própria autora, mas que no meio do caminho soube que a despedida era do marido.

Do primeiro beijo em Outeiro ao derradeiro na São Paulo que o companheiro, in extremis, jamais conheceu, Ruth conta a morte de Manoel, a sobrevivência ao choque dessa prematura partida e a revelação de forças que talvez ela própria não julgasse possuir e que lhe serviram de molde para reconstruir a sua personalidade a tempo de – curada – se reinventar para a vida.

*
Pedacinho do relise
Durante 26 anos, a jornalista Ruth Rendeiro trabalhou na Embrapa. Foram 25 anos na Embrapa Amazônia Oriental, até que teve diagnosticado, em setembro de 2007, em exames periódicos, um câncer na mama esquerda.

Eu e Ruth no Círio2013.
Sete meses depois, seu marido, Manoel Dantas, também empregado da Embrapa, soube que estava com leucemia mieloide aguda. As limitações de tratamento na cidade natal os levaram para São Paulo. Ela para Campinas e ele para o Hospital AC Camargo, na capital. Mas em agosto de 2008, ele não resistiu e faleceu.

Durante mais de dois anos, Ruth amadureceu o desejo de narrar essa parte de sua vida e no próximo dia 5 de dezembro, enfim será lançado “Até que o câncer nos separe”, uma reunião de textos e lembranças e o que essa triste coincidência causou à sua vida e aos dois filhos à época com 12 e 16 anos. Ela ressalta, porém, que o livro não é um compêndio sobre câncer ou um livro de autoajuda.

***
P.S - Tem uma história bem recente de um sururu que une eu e a Ruth.  Clica aqui pra ler.
terça-feira, 20 de agosto de 2013 1 comentários

Mano Zé Wilson: 4 anos sem ti. E essa saudade que pula e se aquieta, pula e se aquieta, faz brotar choro e riso....

Republico post que escrevi na véspera da partida do meu mano Zé Wilson, que se foi dentre nós a 20 de agosto de 2009, ele com 50 anos e mil e um planos de ser feliz ao lado da amada, Gabriela, dos filhos do primeiro netinho, que ele não veria mais aqui e que hoje é um menino grande e bonito.

Meu mano é uma dessas perdas doídas demais, assim como meu outro mano Betinho (que se foi em julho de 1992) e meu amado paizinho (nos deixou a 13 de abril de 2011, dia em que aniversaria Silvinho, meu filho do meio).
Penso neles três e no Walter Rodrigues, no Castagna Maia com imensa, atroz saudade e um carinho. Eternos.

Zé Wilson se foi há quatro anos. Mas o riso dele, o carinho e as brincadeiras e doces impertinências estão impregnadas na memória da minha pele.

Beijão, meu maninho amado! Vida que segue....
Mano Zé Wilson que se foi em 2009, aos 50 anos.

Antes de partir - Para José Wilson, maninho

Antes da tormenta que se abateu sobre minha família, vi e revi um belíssimo filme chamado "antes de partir".

Dois homens, um multimilionário e outro classe média-media adoecem de câncer e os médicos lhes dão 6 meses de vida, no máximo. Conversam no hospital e acabam fazendo um roteiro do que desejam fazer nos 6 meses finais.
E aí começa pra valer o filme: voar e se jogar do céu acima das nuvens; beijar a mulher mais linda do mundo; fazer um safari no meio da África; subir o Himalaia e de lá olhar o nascer do sol e daí por diante... Se reconciliar com pessoas amadas que ficaram derrubadas pela mágoa no caminho da vida. São muitas sugestões.

Não conto o resto. Vale a pena olhar e chorar. E rir. E refletir.

Por que lembrei desse filme?
Ontem fizemos uma roda de oração em casa, sob o comando da amiga Sandra, após a minha vinda da UTI em que meu mano Zé Wilson está há 3 dias, muito mal. Quando acabou a reza e todos se foram, me peguei a pedir pra Deus que dê mais uma chance pro meu mano.
Para que ele tenha o direito de fazer o que gosta e precisa antes de partir. 
Brincar com Bidu, o cachorro que ele tanto ama e que se tornou um grande amigo quando o lúpus baixou feio; 
beijar a boca da Gaby mais algumas vezes; ela, a mulher intensamente amada; 
ver o netinho que ainda está na barriga da Paulinha; 
passear de mãos dadas com o netinho, filhote da Pâmmela; 
ver o pôr do sol da baía do Guajará; 
acompanhar a procissão do Círio de Nazaré; 
conversar com o Marquito; mandar os meninos estudarem como forma de vencer na vida; 
casar de novo de papel passado...s
ei lá, tou imaginando coisas que ele faria.
Papai do Céu, dê essa chance pro meu mano, por favor. Antes dele partir.
Vera

P.S. Escrevi esta cartinha dia 19 de agosto de 2009. Dia 20, às 8 e meia da noite, o coração do Zé não suportou mais hemodiálise, UTI, nada. Ele se foi, aos 50 anos, o coração cheio de amor pra dar. Muitos sonhos interrompidos. Ficou a saudade e a perplexidade e a belíssima história de vida de um homem bom e decente.
domingo, 11 de agosto de 2013 2 comentários

Papai me ensinou que a alegria é o motor da vida. E que é preciso repartir o que temos de bom com quem mais precisa. A bença, paizinho!

Amor ,aconchego e ensinamentos  nos abraços e nas atitudes.

Paizinho ficou entre nós quase 88 anos e se foi a 13 de abril de 2011. Me ensinou tanto com palavras, atos e abraços. Como confortavam os abraços chegados, como esse na foto, carinhosamente olhado por mamãe lá na casa da minha amada mana, em Fortal. 

Me ensinou que é preciso ajudar os que têm fome de justiça, que palavra dada tá empenhada e precisa ser cumprida, custe o que custar. Que ajudar os outros é fundamental na caminhada da vida. Que é preciso amar as pessoas, os animais, ter amigos em cantinho especial do coração, cuidando com todo carinho do mundo. Que honestidade consigo e com os outros é tudo, mesmo que às vezes afaste alguns. E que a alegria é motor da vida, rir, dançar, brincar, amar.

Tanta coisa me ensinou seu Heraldo! Ainda menina ele me dizia, na contramão dos pais que preparavam as filhas para casamentos: estude, esse vai ser seu marido pra vida toda. Tinha tanta razão, meu visionário pai.

Gostou do sapo barbudo Lula e do amor dele pelos pobres, por querer repartir um pouco da imensa riqueza do país com os pobres, os aposentados, de dar chance para que filho de pobre pudesse estudar. Pescador e amante do mar, meu pai pescou muitas raras a maravilhosas ideias e nos reuniu em torno delas.

Papai me chamava de "meu brilhante", gentileza exagerada de pai apaixonado pelos filhotes. Em dias de tempestade e quando certo  e errado se embaralham na minha mente, lembro dele me dizendo, ao me abraçar: Lúcia, na dúvida, olha teu coração! (Meu nome é Vera Lúcia e só ele me chamava de Lúcia).

Ah! paizinho, quanto me faz falta nossas conversas, teus abraços! Agora que tás aí pertinho do manos Betinho, Zé Wilson, Castagna Maia, Walter, tio Getúlio e tantos outros, faz uma festa e dá um jeito de vir nos dar um abraço desses que falam mais que mil palavras e acalantam a alma, orientam a vida e agasalham nossas dores!

A bença, pai! Como te amo! E tento seguir no rumo dos teus ensinamentos. Abraço especial a todos os pais e pãins deste país!

*** P.S - Neste Dia dos Pais, 11 de agosto de 2013, a CUT.Pará envia uma caravana de busão a Brasília para ajudar na luta #contraPL4330, o projeto de lei que destrói empregos, direitos sociais e trabalhistas. O melhor presente aos pais e mães da classe trabalhadora deste país é a não-aprovação desse famigerado projeto!
sábado, 13 de abril de 2013 0 comentários

Paizinho se foi há 2 anos. E meu filhote do meio faz 33 anos hoje. É a vida, com suas curvas e variações que segue em frente....

Papai se foi há 2 anos, no 13 de abril de 2011. A saudade bate forte, muito forte e vou em Bragança (210 km) dar um abraço em minha mãezinha, no meu mano mais velho, me aconchegar e acarinhar mamãe no meu colo. 

E hoje também meu filhote do meio, Silvinho, faz 33 anos, ele que nasceu junto com o PT. São duas emoções fortes que convivem: a partida do meu pai e o renascimento do meu filhote. 

É a vida que segue, com suas contradições, curvas e tons variados, pra mostrar e ensinar pra gente que riso e dor podem caminhar juntos. 

 Abraços, meu Silvinho. E a bênção, meu paizinho!

Como sinto falta desse abraço do meu paizinho. Mas o olhar atento e terno da mamãe, esse tá aqui, graças a Deus!

Meu filhote Silvinho hoje com seus 33 anos e o o filhote dele, o pequenito Perseu, com 1 aninho.

Perseu e Silvinho: vida que segue!

terça-feira, 5 de março de 2013 0 comentários

Em menos de dois dias, duas pancadas na alma: Luzia e Hugo Chávez. LUTO!

Em menos de 2 dias, duas pancadas na alma. Primeiro, a companheira Luzia Fati que se foi assim rapidamente. E hoje, o comandante Hugo Chavez, um dos maiores líderes latinoamericanos que tive a felicidade de ver, ouvir e muito aprender.

Vá em paz, companheira Luzia!

Vá em paz, comandante Hugo Chávez!

 Tou de luto, tou triste, coração doído mas sei que em nossas vidas e na memória da luta  vocês estarão sempre PRESENTES!

¨¨¨¨
No sítio da CUT Nacional sobre Chavez:
Seu legado e o recado de que é possível acreditar num mundo justo e igualitário permanecem. Certamente, a América Latina que queremos, socialista, solidária, integrada, não avançaria como avançou nos últimos anos não fosse a contribuição do homem que sempre teve como referência Simón Bolívar, responsável por expulsar os espanhóis da Venezuela.

Em seu governo, Chávez demonstrou que é possível crescer combatendo a miséria e privilegiando o povo: os venezuelanos abaixo da linha da pobreza eram quase metade da população e passaram para 27,8% durante seu governo. A taxa de mortalidade infantil diminuiu de 27 por mil para 14 por mil. O acesso à água potável subiu de 80% a 92% da população e o consumo de alimentos cresceu 170%.


A taxa de escolaridade cresceu de 40% para 60% e, de acordo com a Unesco, o país também ficou livre do analfabetismo.

Como em qualquer revolução, o comandante bolivariano colecionou desafetos conservadores, especialmente a velha mídia, inclusive brasileira, que sempre o considerava um ditador. Os meios de comunicação não citavam, contudo, que Chávez participou de 14 eleições e referendos, saindo vencedor em todas elas.

A última, em outubro de 2012, com 54,42% dos votos. Mas, dessa vez, o líder bolivariano sequer pode ascender ao cargo que ocupava desde 1999 e assumiria pela terceira vez.

A morte de Hugo Chávez nos deixa mais carentes de líderes que sonham e praticam o que pregam. Acreditamos, porém, que sua jornada inspirará muitos outros sonhadores.

Obrigado, comandante.  

E sobre Luzia Fati:


Comprometida com a luta por uma sociedade justa, democrática e igualitária, buscando avançar nas questões socioambientais, Luzia cumpriu papel fundamental na formação e organização da classe trabalhadora na região Norte, estimulando com seu exemplo de abnegação e coragem os dirigentes sindicais nessa luta, reforçando o seu envolvimento e comprometimento. A ação na base deu resultado e redundou num forte crescimento do sindicalismo cutista, particularmente entre os trabalhadores rurais.
Seu legado de combatividade, organização, experiência e carisma ficarão marcados para sempre na história do movimento sindical brasileiro.
História: Luzia foi eleita para a Executiva Nacional da CUT no 6º CONCUT, realizado em 1997, representando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém – PA. Foi reeleita para a Executiva Nacional no 7º CONCUT, realizado em 2000, e também no 8º CONCUT, em 2003.  Integrou a Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT e foi coordenadora da Comissão Nacional da Amazônia da CUT, criada no 8º CONCUT, em 2003.
Atualmente, exercia a tarefa de educadora da rede de formação na Escola Sindical Amazônia. 

P.S. -  Lindo soneto do poeta paraense Antonio Juraci Siqueira e tudo a ver: 

SONETO DO AMOR AUSENTE

Da tua ausência fiz uma canoa
para buscar-te pelas madrugadas
entre as estrelas, entre as nuvens, entre
as vagas do oceano da ilusão.

Dos retalhos de sonhos e delírios
fiz vela, bujarrona e, da esperança,
bússola e leme desse estranho barco
feito nas longas noites de vigílias.

Agora, a velejar pelo infinito
dentro da noite seguirei e quando
teu rosto amado descobrir, nas brumas,

não mais hei de perder-te pois carrego
em minhas mãos o inapagável lume
do amor que aprisiona e que liberta.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012 0 comentários

A coragem é o que dá sentido à liberdade

Emocionante e linda a carta de Miruna Genoíno, filha do companheiro Genoíno que, a exemplo de Zé Dirceu, Delúbio e tantos outros, foi vilmente injustiçado pelo tribunal de exceção que está sendo o julgamento do mensalão pelo STF, em que se condena sem provas, como tanto se fez na ditadura militar e no período da Inquisição.

Sei bem o que é esta verdadeira emoção do compa Suplicy. Tenho sentindo-a profundamente todo este tempo em que, perplexa, vejo os ministros do STF rasgarem a Constituição, os direitos, as liberdades!



A coragem é o que dá sentido à liberdade
Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.
Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.
Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?
Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?
E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na Câmara dos Deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?
Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...
Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.
Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.
Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.
Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.
Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino
09.10.2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012 4 comentários

Lalá nos deixou hoje. Vai na luz, irmão e construtor da paz e do riso

Faleceu hoje pela manhã, no hospital Amazônia, em Belém, o companheiro e amigo Laércio Oliveira, o Lalá. Petista da fundação do PT, gráfico, sindicalista, amante da liberdade, Lalá era, antes de tudo, um homem de bem com a vida, com o riso, com a alegria.

O "cabeça branca", como foi batizado carinhosamente no PT, era um companheiro que transitava bem entre todas as correntes políticas do Partido. 

Porque era e vai ser sempre um construtor, um embaixador da paz. Tive a imensa de felicidade de conhecê-lo desde o tempo da oposição gráfica, na lida e escritos do jornalzinho "Companheiro Gráfico". O tempo só fez bem pro jeito e ânima do Lalá.

Descansa em paz, Lalá! A gente que fica aqui, tá muito triste e já com saudades do teu riso, da tua alegria, do teu otimismo.

 Vai na luz, irmão querido! E que teus amigos, companheiros, encontrem conforto nesse momento de dor.

Do blog do compa e amigo Luís Cavalcante

P.S. - O corpo de Lalá vai ser velado hoje na Igreja de São Sebastião, na Sacramenta (Senador Lemos, em frente à Praça São Sebastião) e o sepultamento será amanhã. Aproveito para mandar um abraço carinhoso também à companheira Kátia Furtado, que perdeu ontem sua tia, uma segunda mãe pra ela.
segunda-feira, 11 de junho de 2012 0 comentários

Há 25 anos, latifúndio matava Paulo Fonteles. Crime continua impune


Há 25 anos, às 11 horas do  dia 11 de junho de 1987,  foi barbaramente assassinado pelo latifúndio, num posto de gasolina perto da Alça Viária, Paulo Fonteles, ex-deputado do PC do B, ex-sobrevivente da Guerrilha do Araguaia, militante dos direitos humanos e um amante da vida, um lutador que lutava sorrindo doce e bravamente.

Eu tava trabalhando, grávida de oito meses do lindo menino que nasceria a 20 de julho de 87, quando o telefone tocou e veio a bomba, porque aquilo era uma bomba: Paulo foi assassinado. Não acreditei. Fiquei com o telefone na mão, mudo o fone, muda eu, o coração se recusando a aceitar aquela dura realidade. Foi difícil chegar ao velório, talvez um dos mais carregados de comoção que eu já fui até hoje.

25 anos depois, o crime continua impune. Do Paulo Fonteles ficaram as idéias e as lutas, mais vivas que nunca.

O jornalista Lúcio Flávio Pinto iniciou o Jornal Pessoal (que tem a mesma idade do meu último filho) contando esse terrível assassinato, perda irreparável para a esquerda e para homens e mulheres de boa vontade.

Leia mais sobre Paulo Fonteles aqui.

*
P.S - Meu compa e irmão Edir Gaya, jornalista e compositor tá no berço hoje, meio na encolha, ele que faz da timidez um estandarte. Parabéns, Edir e Sodré já resumiu, em prosa e verso, que é esse amigo querido. E eu faço minhas as palavras do Sodra: 

"Naqueles tempos, ele já demonstrava talento e jeito para a criação. Fez textos (até hoje lembrados) para teatro, músicas (nunca no quadradão. Ousava sempre nas harmonias, mesmo sabendo, na ocasião, uma coisinha a mais que ré-com-sétima/sol). Já dava show nas colunas e seções do nosso jornal, antecipando, na escrita precisa e elegante, a carreira que abraçaria. Eu ficava olhando aquela desenvoltura, aquele traquejo, aquela ginga (‘cores, odores, sabores, dores, dolores e daguimares’) suburbana da Matinha moldando a verve imberbe daquele garoto compridão de andar obtuso, olhos de uma alegria rubra e sorriso algo anárquico, algo delator, algo imperioso e absolutamente doce e verdadeiro. Meu amigo, Meu melhor amigo. Que cuido e admiro".


Ou como diz a compa dele, mana Valéria, no feice: Ele é muitos em um, Paoloni! Um bom ouvinte. dono de uma gargalhada irreverente. uma mente revolucionária. um coração generoso. um tímido espalhafatoso. um homem bom. um grande menino. um amigo raro. o meu amor.
 
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