quinta-feira, 1 de março de 2012

Caso Celpa: o interventor de hoje participou da privatização em 1998


 Por mail, o  Sindicato dos Urbanitários do Pará encaminha correspondência abaixo, criticando a nomeação do engenheiro Vilmos Grunvald para ser o atual interventor da Celpa, posto que participou ativamente do processo de privatização da Celpa, em 1998.

O deputado federal do PT-Pa, Cláudio Puty, em seu facebook, fez idêntica denúncia hoje pela manhã. O vereador do PT-Belém e urbanitário, Otávio Pinheiro, também criticou o fato em seu facebook hoje pela manhã.

O mail do Sindicato dos Urbanitários:

Causou estranheza ao Sindicato dos Urbanitários do Pará a nomeação do engenheiro Vilmos Grunwald para ser o administrador judicial da Celpa (interventor) no período de concordata da empresa. Essa nomeação aconteceu na quarta-feira, 29, no despacho do Tribunal de Justiça no pedido de recuperação judicial da Celpa.

Para quem não conhece ou não lembra, Vilmus é pessoa de extrema confiança do governador Simão Jatene. Os dois, juntos, na Secretaria de Estado de Planejamento, em 1995 iniciaram e concluíram em 1998 o processo de privatização da então estatal Celpa. Vilmos era empregado da Celpa. Quando Almir Gabriel foi eleito governador, em 1994, ele foi cedido para o governo do Estado.

 Passada a privatização, em 98, ele foi nomeado por Almir como diretor geral da Arcon, uma agência que fora criada para fiscalizar o serviço da privatizada Celpa, fiscalização que não aconteceu, pois se a Celpa está nessa situação é também por omissão da Arcon e da Aneel!

Depois, Vilmos foi secretário de Estado de Jatene e agora estava como presidente do Conselho de Administração da Cosanpa. Atualmente presta consultoria ao Governo do Estado.

Quer dizer, Grunvald estruturou a Celpa para ser "vendida". Foi para a função de fiscalizar o serviço. E não fiscalizou. Agora volta como aquele que deve botar ordem na casa? Mas que ordem é essa? Vai beneficiar quem afinal? Vamos ficar de olho nos próximos passos dele!


A crítica de Puty:


A recuperação judicial foi concedida à CELPA e um outro verdadeiro absurdo surge: o 
interventor nomeado, pessoa que irá coordenar o processo de renogociação das dívidas é o 
tucano Vilmos Grunwald. Partidarizam a empresa e a entregam de vez para o seus algozes.

Em agosto de 1998, quando a Celpa foi privatizada, eu presidia o Sindicato dos Urbanitários do Pará. 

Naquela época nós alertavamos para o equívoco que o governo da época (Governador Almir Gabriel e Sec. de Planejamento Simão Jatene) cometeria ao privatizar a CELPA, pois trata de um setor estratégico (energia elétrica) para a sociedade. Não nos deram ouvido, e ainda nos acusaram de atrasados. 

Denunciamos após a Celpa privatizada, a demissão em massa de trabalhadores e a transferência de Lucros obtidos no Pará, para Empresas do grupo em outros Estados. 

Anunciamos também os péssimos serviços prestados pela Celpa, com o sucateamento de suas instalações devido a falta de investimentos no sistema. 
Pois bem, queríamos estar enganados, infelizmente não estávamos. 

Chegamos agora no fundo do poço, com a situação pré-falimentar da Celpa, risco de piora nos serviços prestados e aumento de tarifa (O dono do Grupo Rede quer um reajuste de 20%). 

A melhor alternativa nesse momento é a Federalização da Celpa pela Eletrobrás, a exemplo do que já ocorre em outros Estados, como o Amazonas, Rondônia, Roraima e outros

Ficamos mais preocupados com a nomeação pela justiça do Pará de um Administrador para recuperação judicial da Celpa de uma pessoa que foi um dos artífices da prvatização da Empresa. É como dar o galinheiro para a raposa tomar conta. 

Esperamos que o Governo Federal intervenha por intermédio da ELETROBRÁS para que o Pará não sofra mais ainda do que vem sofrendo.


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Leia o que diz o blog do Zé Carlos do PV:


A concordata da CELPA é um caso para policia federal intervir e mandar para cadeia muita gente que enriqueceu neste processo. A empresa anunciou o pedido de concordata motivada por uma brutal e quase impagável dívida e a solução, com certeza, será uma operação de socorro com mais dinheiro público. 

A noticia caiu como uma bomba sobre a cabeça da população paraense que até hoje nunca recebeu a exata explicação do processo de venda da sua maior empresa estatal, teve que suporta o enorme custos das tarifas de energia e ainda vai ser chamada para pagar mais esta divida.

A Celpa foi vendida no Governo Almir Gabriel por inspiração do secretário e atual governador Simão Jatene. Aos que questionavam, Jantene, como sua genialidade verbal adquirida nas sofridas noites de músico em bares da cidade, quando tocava para completar a renda de servidor publico, explicava as vantagens de vender a empresa. Estaremos vendendo uma empresa com dividas, dizia, sem capacidade de investir, em troca, ganharemos uma empresa forte e recursos para ajudar o Pará a alavancar seu próprio desenvolvimento. 

Os tucanos, como sua privataria, pregavam que o Pará deveria entrar na era do estado "moderno", enxuto, ágil. Os esquerdistas, como suas idéias estatizantes, contrários a venda, representavam o atraso. Tudo papo furado, estavam ideologizando a pouca-vergonha.

Aos que questionavam os riscos de entregar nas mãos do setor privado uma empresa prestadora de serviço essencial, como é o caso da energia, Jatene, do alto de sua sabedoria, apresentava a Agencia Reguladora, Arcon, como a garantia de que a empresa compradora cumpriria o contrato de sanear a Celpa e investir na ampliação dos serviços. Não haveria riscos. 

A venda foi denuncia por mim como lider da bancada do PT, pelo sindicato dos urbanitários, pela CUT e por Jader Barbalho. As denuncias eram muitas. A bancada do PT, os urbanitários e a CUT mostravam que a empresa teve um valor de venda abaixo do que a empresa realmente valia, as dividias a receber foram colocadas como moedas podres, o patrimônio não foi corretamente dimensionado. Jader Barbalho, a posteriori, mostrava que o dinheiro da venda da Celpa foi gasto na campanha eleitoral para reeleger Almir Gabriel.

A Assembléia Legislativa, o Ministério Público Estadual e o teatral Tribunal de Contas do Estado, mesmo de posse dos números, foram ineptos e aceitaram a venda da maior empresa estatal paraense. 

A imprensa paraense e nem os políticos viram qualquer problema quando os urbanitários voltaram a denunciar que a Rede Celpa estava transferindo os lucros obtidos pela Celpa para engordar o patrimônio de outras empresa do grupo Rede.

A ARCON, agência reguladora que deveria ficar atenta ao cumprimento dos compromissos da empresa que comprou a Celpa e defender os direitos dos consumidores, nunca funcionou livremente, seus dirigentes, quase sempre sem competência técnica e política para agir, preferiram cegar para a forma como a Celpa vinha formando este monstruosos endividamento.

A divida da Celpa é simplesmente inexplicável, a empresa tem enormes fontes de fartos recursos. Graças a conivência da Arcon e da Aneel, a tarifa de energia elétrica do Pará é uma das mais caras do Brasil. A Celpa, com ajuda de alguns deputados federais e dirigentes políticos paraense, conseguiu fazer uma enorme transfusão de recursos da união para os seus cofres através do programa "Luz para todos", da distribuição de energia aos municípios do entorno de Tucurui e da compensação ambiental solicitada pela OAB-Pará de cem por cento de energia nos municípios da Transamazônica por causa da implantação de Belo Monte. 

O caso é gravíssimo e como os órgãos públicos paraenses não estão aptos para proceder investigação técnica, séria e transparente, entendo que a única saída é uma investigação tocada pela Policia Federal e acompanhada pelo respectivo Ministério Público. Quem sabe acompanhada por um CPI proposta por algum parlamentar isento da bancada federal. O povo é que não pode ficar no prejuízo. 

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