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Muito a fim de ler o livro!!! |
com minha mana e compa Ruth Rendeiro, porque dia 5 coincide com minha a Fortal tomar a bença da minha mãezinha que inicia a químio dia 9 de dezembro, após ter pulado uma fogueirona na cirurgia de 31 pra 1º e novembro. Oncologista diz que é uma químio leve, via oral e cá comigo tenho minhas dúvidas, mas enfim, rezo baixinho: Maria, passa na frente"
Quero muito ler o livro da Ruth Rendeiro, de alguém querida que vivenciou duplamente o efeito câncer na vida, ela e o marido acometidos quase ao mesmo tempo da enfermidade e que acabou levando ele pra outro plano.
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Ruth astral. Foto recente.Fortal.CE |
Lamento muito não estar na tarde/noite de autógrafos, mas recomendo quem puder vá dia 5 de dezembro na Embrapa. E depois vocês me contam aqui o que acharam do livro. Se não der mesmo pra ir, talvez encontres um exemplar na Banca do Alvino, mas isso ainda não tá certo. O preço é 25 pratas. Baratinho.
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Uma provinha do livro
Finalmente o telefonema. Guarulhos, São Paulo e todo o seu simbolismo. Salvação para mais um nortista. A esperança mora no mais rico e populoso Estado brasileiro. Nordesti nos e nortistas não se cansam de desembarcar transportando seus sonhos de uma vida melhor ou de ter direito à vida. Ele era só mais um. A voz ao telefone entrecortada, cansada. Tentava se mostrar tranquilo, menos ofegante.
Horas depois, já refeito, a descrição do hospital. Mais parece um hotel cinco estrelas. Tudo perfeito. Do atendimento na recepção à limpeza, às opções de lanche. Cama confortável, TV, banheiro, guarda-roupa. Tudo incrível. Um tom de deslumbramento in fantil a encobrir o medo.
A primeira visita da equipe médica e a primeira quimioterapia. Tudo tão novo para um homem tão dinâmico. Uma “minibomba de combustível”, como ele descrevera, lançava as gotas milagrosas em seu corpo. Começava o bombardeio na guerra contra as células demoníacas que minavam seu sangue.
No bairro onde ele morava muitas lágrimas e orações das vizinhas e pesar dos vizinhos. No grupo de fnal de semana só lamentos. O “Seu” Menino está doente. Muito doente. Um homem sem nome nem sobrenome. Um engenheiro risonho, mão aberta e prestativo. Naquele mundo festivo do subúrbio era apenas “Seu” Menino. O Papai Noel nos dezembros e folião nos fevereiros. Não conseguiam digerir a notícia da doença grave, do risco de morte, da possibilidade de sucumbir. Não há de ser nada o “Seu” Menino é bom demais. Deus e Nossa Senhora de Nazaré vão salvar nosso amigo. Desejavam e verbalizavam o desejo entre cervejas na calçada onde ele sempre estava presente.
Cada um tinha uma lembrança muito pessoal do vizinho bem-humorado. Ora como um contador de piadas e histórias hilárias, ora como um ser solidário que nunca se negava a ajudar o outro. Alguns riam entre lágrimas ao recordar quando ele se excedia nas latinhas de cerveja e ou- via – e os obrigava a ouvir – os boleros e bregas, preferências reprimidas na abstinência. E quando ele resolve cantar? lembrou outro amigo de copo. Uma fgura esse “Seu” Menino, resumiu um deles.
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A orelha, por Elias Pinto
Uma banda de orelha é muito pouco para falar de um livro que se mostra de corpo inteiro, de coração a nu. Ruth nos convida a desnudar os sentimentos das relações amorosas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Há toda uma literatura sobre perdas conjugais.
Lembro, mais recentemente, dos livros de Joan Didion, André Gorz e Joyce Carol Oates. Se Até que o câncer nos separe divide com estes testemunhos aparentados de amor e dor a perda querida, singulariza-se pela reviravolta de uma morte anunciada, que era a da própria autora, mas que no meio do caminho soube que a despedida era do marido.
Do primeiro beijo em Outeiro ao derradeiro na São Paulo que o companheiro, in extremis, jamais conheceu, Ruth conta a morte de Manoel, a sobrevivência ao choque dessa prematura partida e a revelação de forças que talvez ela própria não julgasse possuir e que lhe serviram de molde para reconstruir a sua personalidade a tempo de – curada – se reinventar para a vida.
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Pedacinho do relise
Durante 26 anos, a jornalista Ruth Rendeiro trabalhou na Embrapa. Foram 25 anos na Embrapa Amazônia Oriental, até que teve diagnosticado, em setembro de 2007, em exames periódicos, um câncer na mama esquerda.
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Eu e Ruth no Círio2013. |
Durante mais de dois anos, Ruth amadureceu o desejo de narrar essa parte de sua vida e no próximo dia 5 de dezembro, enfim será lançado “Até que o câncer nos separe”, uma reunião de textos e lembranças e o que essa triste coincidência causou à sua vida e aos dois filhos à época com 12 e 16 anos. Ela ressalta, porém, que o livro não é um compêndio sobre câncer ou um livro de autoajuda.
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P.S - Tem uma história bem recente de um sururu que une eu e a Ruth. Clica aqui pra ler.